Digamos que você entre em uma concessionária X para comprar o carro dos seus sonhos. Você chegou até lá depois de ver um anúncio no jornal em que o carro era vendido à 20 mil reais. Considerando o valor adequado, pensando no quanto você gasta diariamente com transporte público, você finalmente se decidiu pela compra.
Mas ao receber a fatura do veículo, você vê o preço e quase tem um troço: 40 mil reais. Ao questionar o vendedor do porquê desse preço absurdo, o seguinte diálogo se inicia:
Vendedor: - O carro vem com ar condicionado, direção hidráulica, bancos de couro, trio elétrico, teto solar, rodas de liga leve e sistema de som de último tipo opcionais, por isso o custo adicional.
Consumidor: - Mas eu não preciso dessas coisas todas. Quero apenas o meu carrinho, sem nada dessas coisas supérfluas. Como você mesmo disse, são opcionais!!!
Vendedor: - Sinto muito, mas nós só vendemos os carros com todos os opcionais. É pegar ou largar. E se demorar muito pra se decidir, provavelmente o preço vai subir pra cobrir nossos custos de instalação de todos esses equipamentos.
Consumidor: - Pois eu vou procurar outra concessionária!
Vendedor: - Pode procurar. Todas as concessionárias funcionam do mesmo jeito. Pode assinar aqui, por favor...
A pergunta é.... Como você se sentiria? Creio que lesado seria um eufemismo para a situação. Mas você provavelmente deve pensar: Isso é uma situação surreal! Nunca uma indústria agiria dessa forma com o consumidor! Nem o governo permitiria que isso acontecesse!
Pois é exatamente isso que está acontecendo no mercado de conexões de "banda larga" com a Internet. A diferença é que em vez de comprar um carro você está contratando um serviço de conexão. E em vez de pagar pelos opcionais, você está pagando compulsoriamente um provedor de conteúdo para prestar um serviço opcional do qual você não precisa. Mas como isso pode acontecer sem que os consumidores se revoltem e exijam mudanças???
Por falta de informação. Os consumidores simplesmente não têm idéia de que estão sendo lesados, simplesmente porque não conhecem o serviço que estão contratando. E tanto os fornecedores do serviço quanto os órgãos regulamentadores têm praticado uma política de desinformação, de silêncio, em um ambiente regido por diversos conflitos de interesse.
E a mídia? O que esperar de grandes jornais e canais de televisão que possuem ações dos próprios provedores de acesso? Será que eles dariam um tiro no próprio pé? Me parece que não. A única alternativa que nos resta é utilizar canais alternativos de divulgação. Praticar táticas de guerrilha. Conscientizar os usuários de Speedy, Virtua, @Jato ou outros serviços de conexão em banda larga que eles estão sendo prejudicados por empresas desleais e orgãos de controle omissos.
O objetivo desta página é conscientizar os usuários dessa situação e servir de um portal para a obtenção de informações a este respeito. Novos textos serão colocados na seção artigos explicando o porquê dessa cobrança ser abusiva e como proceder para se defender.
-NightHiker