Terça-feira, Novembro 27, 2001

23:24 - O Mav divulgou o link para o The Brain Trust, um site dedicado a desinformação com bom humor (Ou seja, como qualquer outro jornal, só que de propósito...). Muito bom. Veja a pérola retirada de lá:

KABUL JUBILANT AS NEW "ARMED MANIACS" TAKE OVER FROM OLD

Em tempo: o Mav é um dos poucos blogs mais "mainstream" que não é apenas um imensa coleção de clippings ou de relatos do cotidiano. Quer você concorde ou não com o discurso, não se pode negar que ele seja em grande parte original. -

Segunda-feira, Novembro 26, 2001

10:30 - Frase do dia:

"Blog: revista feminina ou masculina sem reunião de pauta".

NH -


09:00 - Já há algum tempo muitas pessoas têm escrito que os blogs estariam revolucionando o processo de publicação, e eu me incluo nesse grupo. Entretanto, venho percebendo com o tempo que o blog, sendo apenas uma ferramenta, não tem o poder de alterar de verdade a forma como o processo de publicação acontece. É verdade, ele permite que praticamente qualquer pessoa coloque seus escritos online. Mas será isso realmente "publicar", se ninguém aparecer para ler? Talvez não.

Por milhares de anos, se alguém quisesse publicar um livro, tudo o que podia fazer é escrevê-lo, de forma artesanal, e torcer para que outras pessoas o copiassem, também artesanalmente e num processo extremamente sujeito a erros. Não existia a prensa como conhecemos hoje. Os chineses a utilizaram por algum tempo antes da sua introdução na europa por Gutenberg, mas esta não possuía o conjunto de tipos móveis colocado em prática pelo europeu e que, supostamente, viria a finalmente democratizar o processo de publicação.

Isto, entretanto, não aconteceu. Ao invés, criou uma nova classe de profissionais, os "publishers", termo cujo equivalente mais próximo em português talvez seja "editores". Esta nova casta, detentora dos meios de publicação, passou a utilizá-los de acordo com seus interesses comerciais ou políticos. E assim tem sido desde então. Por mais fácil que seja hoje publicar fisicamente um livro, qualquer um que o tente fazer sem um lobby de pessoas influentes no setor, ou sem grana no bolso, dificilmente triunfará. Se o livro for fácil de "divulgar" (i.e.: salvo exceções, de péssima qualidade literária mas grande apelo para a massa), ótimo. Se não, vai na melhor das hipóteses amargar anos na fila de espera.

Surgiu então a Web, este bicho de sete cabeças que ninguém realmente entende ainda, com a promessa de quebrar este paradigma. Sabemos que essa não era uma verdade, já que ainda exigia um certo investimento, pelo menos intelectual, por parte das pessoas para poderem usufruir dela (html, ftp, http, ip...). Por isso, em sua grande maioria o processo de publicação continuou na mão dos grandes editores, agora donos dos sites de maior visitação, graças ao maior poder de divulgação. Para a pessoa "comum", a Web continuava de portas fechadas. Era ainda uma via de mão única.

Foi a vez do Web log aparecer. O conceito rondou a Web por algum tempo, na mão de alguns pioneiros, até que seu número cresceu suficientemente para que houvesse o interesse de se criar ferramentas que viessem a automatizar o processo de publicação. Primeiro, soluções do lado do servidor, depois soluções do lado do cliente, das quais o Blogger se tornou o maior expoente. Agora sim, pensamos, a pessoa comum terá em suas mãos o poder de se fazer ouvir (ou ler). Praticamente qualquer um agora pode colocar seus escritos à disposição de quem estiver interessado. Ou será que não?

Tristemente, o fato é que o processo de divulgação ainda está nas mãos de poucos, mesmo no universo dos blogs. A mídia tradicional adotou alguns poucos, por apadrinhamento, amizades, ou em situações a caracterizar no mínimo um certo conflito de interesses (i.e. jornalista com coluna em mídia tradicional e blog ao mesmo tempo - será coicidência que agora o blog está entre os mais populares?). É fácil perceber que a indisposição que alguns desses autores pareciam ter com a mídia mais tradicional só existia na medida em que os próprios não conseguiam fazer parte dela. Com a aceitação, vem a mudança no discurso. E com esta mudança, estes poucos se vendem, e recebem toda a atenção, todos os "page views", e de repente parecem não se preocupar mais com os "outros" blogueiros sem nome, a não ser em discursos demagógicos. Enquanto isso, a imensa maioria das pessoas apenas acha que está fazendo parte de um processo revolucionário. Sinto que não seja esse o caso. E sinto que esse processo pode mais uma vez engavetar a tão sonhada liberdade de impressão. Afinal, para a maioria das pessoas, um blog nada mais é do que uma versão eletrônica de um manuscrito escondido na última gaveta da escrivaninha. E não importa quão bom seja o seu conteúdo, ficará lá. Talvez até que o seu próprio autor esqueça de sua exitência. Até virar um fóssil eletrônico. -

Domingo, Novembro 18, 2001

17:37 - Quarta-feira passada assisti à pré-estréia do filme A Sombra Do Vampiro. Ao contar a suposta história das filmagens de Nosferatu de Murnau apoiando-se na idéia de que Max Schreck seria um vampiro de verdade, o filme deixa de primar pelo rigor histórico. Mas se ignorarmos o fato de que as dúvidas a respeito do background do protagonista são infundadas, tendo em vista os mais de 35 filmes em seu currículo, a obra de E. Elias Merhige têm seus méritos. A ambientação é muito boa. O filme reconstrói com sucesso o cenário da cinematografia em seus primeiros passos. As limitações técnicas, a artificialidade das atuações, os escassos recursos logísticos, todos estão lá, embelezados pela fotografia de Lou Bogue, que também assina o clássico O Iluminado, de Kubrick. Mas o cerne no roteiro fica na dicotomia entre os personagens de John Malkovich e Willem Dafoe. Dicotomia aparentemente moldada de forma a nos fazer pensar: "Quem será o verdadeiro vampiro, aquele que o faz intencionalmente ou o que o faz por falta de escolha?". Malkovich recria um Murnau disposto a sacrificar a tudo e a todos em busca de sua utópica pureza artística, em busca de seu filme perfeito, fantasia tornada realidade (ou será o contrário?), vampirizando até mesmo o vampiro. Enquanto Dafoe impecavelmente retrata um vampiro decadente, velho, fraco, apenas a casca dos que estamos acostumados a ver, altivos e charmosos, na maioria dos filmes sobre o tema, e que precisa se sujeitar aos caprichos de Murnau para conseguir o sangue da bela Greta Schroeder, sua "Mina Harker". A indicação para o Oscar não veio por acaso. Dafoe me impressionou com sua atuação em diversos momentos, incluindo sua interessante visão a respeito do próprio livro de Bram Stoker, "Drácula", obra que trouxe de vez o mito vampírico para o imaginário ocidental. O que vemos durante o filme é o fim de um mito, e o início do que seria considerada a sétima arte. O roteiro tem suas falhas, e a sobreposição do Nosferatu original com as cenas mostradas no filme não é perfeita. Mas para os amantes do gênero, o filme deverá ter um cantinho reservado na estante. -

Quinta-feira, Novembro 15, 2001

02:29 - Pesquisando algumas partes da Bíblia para servir de apoio à leitura do "Asimov's Guide to The Bible", percebi um absurdo que de tão óbvio eu nunca tinha percebido antes. Segundo o Gênesis Deus criou as plantas antes de criar o Sol!!!:

Capítulo 1, versículo 11: Deus disse: "Produza a terra plantas, ervas que contenham sementes e árvores frutíferas..."

Capítulo 1, versículo 14: Deus disse: "Façam-se luzeiros no firmamento dos céus para separa o dia da noite (...) E assim se fêz. Deus fez os dois grandes luzeiros: o maior para presidir ao dia, (...)"

Só me explica uma coisa, seu Papa... Como é que as plantas faziam fotossíntese se quando elas foram criadas ainda não existia o Sol??? (Tudo bem que muitos religiosos aceitam hoje o conteúdo do Gênesis como sendo simbólico, não literal. Mas existem os criacionistas que aceitam o que está escrito na Bíblia como sendo literal. Como isso é possível? Como essas pessoas conseguem se enganar dessa forma?) -

Terça-feira, Novembro 13, 2001

01:15 - Tem poucas coisas mais inúteis do que esse agente de empregos do site www.empregos.com.br. Veja a descrição da vaga que recebi automaticamente por e-mail:

Cargo: Designer Gráfico
Empresa: fabrica de catalogos
Localidade: São Paulo - SP
Descrição: conhecimento de page maker, corel draw, photo shop. atendimento telefonico.

Atendimento telefônico??? Só pode ser piada.... -

Segunda-feira, Novembro 12, 2001

20:32 - Apesar de ser designer gráfico, de já ter trabalhado como diretor de criação em empresas nacionais e "importadas", não falo muito a respeito de design aqui no Fireplace. Não que não tenha nada a dizer, mas porque já existem ótimos sites que abordam esse tema. Prefiro discutir situações e assuntos que não sejam discutidos à exaustão em outros lugares. Mas o designer em mim não conseguiu resistir a alguns comentários que tenho lido a respeito do site Janne Hautamaki. Já li que o site é pirado, que o site é fantástico, que o site é um show de webdesign. Em tempo, o material gráfico do site, incluindo os trabalhos do portfólio, é de ótima qualidade. Mas o site tem um defeito muito grave em sua concepção: Ele extrapola no uso da tecnologia pela tecnologia em si. Mas vamos aos argumentos:

1 - O download é extremamente pesado. Este fato pode ser deixado de lado se pensarmos que talvez o alvo do autor seja o usuário de banda alta. De qualquer forma, seria prudente oferecer uma versão mais simples para quem está conectando através de algum equipamento wireless, por exemplo.

2 - O site contém centenas de linhas de programação e objetos em HTML 4.0 (DHTML). Sua utilidade, entretanto, é duvidosa, para ser generoso. Essa quantidade imensa de código, que precisa ser processado pelo browser on the fly, gera uma sobrecarga tremenda no processador. Como normalmente as pessoas navegam com várias janelas do browser abertas ao mesmo tempo, este site pode prejudicar muito a experiência de navegação em todas as janelas. Como exemplo da obtusidade do código, vale citar que com o simples ato de movimentar a barra de rolagem do browser, a CPU do meu PIII 500 vai a 100% de utilização. Ou seja, enquanto eu navego nesse site, não posso fazer mais nada. Navegar enquanto aguarda um efeito ser processado no Photoshop? Esqueça.

3 - Os recursos proporcionados por estas centenas de linhas de código ou são réplicas de comandos perfeitamente acessíveis com um ou dois cliques nos menus do próprio navegador (como "print", "favorites", "back", "forward", etc), ou então são supérfluos ("zoom in" e zoom out"). Alguém poderia me dizer honestamente qual a utilidade do zoom? As imagens, sendo bitmaps, não podem usufruir deste recurso e ficam pixelizadas. E não vejo utilidade em diminuir o conteúdo de texto até eu não poder mais enxergá-lo ou aumentá-lo até poder ler uma letra por vêz. Preferiria poupar o meu processador.

4 - A escolha do DHTML para gerar os efeitos foi péssima: os efeitos do site não funcionam com uma grande parte da base instalada de browsers. Entretanto, existe uma outra ferramenta que teria proporcionado todos os recursos dos quais o site dispõe e mais, com um download mais leve e sem sobrecarregar o processador. Além disso, essa plataforma existe em mais de 96% dos browsers atualmente, tanto em Mac quanto PC. Essa ferramenta se chama Flash. Ainda assim seria overkill, mas o resultado seria mais eficiente do que o atual, e funcionaria em mais máquinas.

Conclusão: Tanta "tecnologia" na verdade atrapalha a experiência do usuário ao navegar pelo site, sem adicionar nada de realmente útil. Entendo que um site também é uma peça promocional para o seu autor, mas se este é o caso, ter estes efeitos confinados à uma seção "Laboratório" seria mais do que suficiente para mostrar do que o autor é capaz sem obrigar o usuário a "engolir" essa tal autopromoção no site inteiro. O site seria muito mais eficiente se utilizasse o bom e velho HTML 3.0 e nenhum javascript.

Eu entendo que usuários leigos façam "ohhhhh!", ou "aaaahhhhh!" enquanto navegam pelo site, mas me decepciona um pouco ver profissionais da área endossando a utilização de ferramentas e tecnologia em prol delas mesmas, quando o único objetivo destas deveria ser auxiliar na transmissão de uma mensagem, e não servir de ruído à mesma. Bem que eu disse alguns dias atrás que a internet era o karaokê do design gráfico. -

Domingo, Novembro 11, 2001

00:06 - Leio muito por aí gente defendendo a tal história de que informação é pública, informação não tem dono, etc. Será que essas mesmas pessoas ficariam contentes se vissem alguém utilizando seus textos na íntegra, sem dar-lhes o devido crédito? Afinal, isso é que é informação livre e pública. Informação sem dono não tem copyright. Não interessa de onde se originou, a partir de então é de todo mundo. Partindo deste princípio, algo que eu digo deixa de ser meu a partir do momento que sai da minha boca. Será que é isso que elas querem? Não. Não acredito nestas pessoas. Pelo menos não na maioria delas.

A maioria dos que defendem que a informação é livre o fazem porque teriam mais a ganhar do que a perder, porque teriam menos a dar do que a receber. Antes de adotar uma posição tão radical, que seria a antítese da idéia do BigBrother, prefiro gastar alguns dos meus neurônios e refletir um pouco. Quem gera a informação, seja qual for, quer viva dela ou não, tem o direito de guardá-la para si. E tem o direito de se beneficiar dela se souber como. Sozinho, se souber como. Se a pessoa quiser dividir essa informação com outros, gratuitamente ou não, ótimo, mas essa necessidade não deve ser implícita. Quem é contra esse preceito, esquece que ao mesmo tempo em que a tal liberdade de expressão garante que possamos dizer ou escrever o que bem entendamos, também garante que possamos escrever e não mostrar o que bem entendamos. Se não fosse assim, não seria liberdade. Os que não possuem essa informação têm o direito de tentar conseguí-la, e cabe ao seu "dono" saber protegê-la se quiser, gerando um processo contínuo de seleção informacional, onde sobreviverá, como sempre, aquele que for mais apto. -

Sexta-feira, Novembro 09, 2001

16:44 - Só tem uma generalização que considero correta: A de que toda generalização é burra. Estereótipos e preconceito sempre andaram juntos. Mas isso não impede que vejamos todo tipo de generalização no dia-a-dia. Quando a generalização envolve conceitos de saúde e nutrição, na forma de fórmulas genéricas de diagnóstico, entretanto, elas se tornam ainda mais perigosas.

Uma dessas fórmulas genéricas é o tal IMC, ou Índice de Massa Corpórea, que vejo rondando as mídias televisiva e impressa, além de sites de clínicas de saúde. O IMC tem a missão de ser uma fórmula mágica que determinará, depois de alguns simples cálculos, se você está acima ou abaixo do peso ideal e até que ponto isso pode prejudicar a sua saúde. Basta pegar o seu peso em quilos e dividir pela a sua altura em metros elevada ao quadrado.Por exemplo:

Peso: 80 quilos
Altura: 1,80 m
IMC = 80/(1,80x1,80) = 80/3,24 = aprox. 24,7

Então é só comparar esse número com os números em uma tabela para saber qual a sua situação. No caso, segundo o IMC, alguém com 80 quilos e 1,80 estará no limite da faixa de peso normal (de 20 a 24,9), quase na faixa de excesso de peso (de 25 a 29,9). Tudo muito fácil e bacana. Se não fose por uma série de "detalhes"...:

1 - O IMC não faz distinção entre homem e mulher: É claro que a proporção de peso e altura é diferente para os dois sexos, sendo homens normalmente mais pesados do que mulheres da mesma altura. Segundo o IMC, homens por definição já seriam menos saudáveis do que mulheres.

2 - O IMC não faz distinção entre tipos de tecidos. Tecido muscular e tecido adiposo tem densidades diferentes, sendo que o tecido muscular é muito mais pesado do que o tecido adiposo. Ou seja, pessoas com muito músculo e pouca gordura são, também por definição, menos saudáveis do que pessoas com menos músculo e mais gordura.

3 - O IMC não faz distinção entre idades. Pessoas mais velhas tendem a possuir menos massa muscular e ossos menos densos do que pessoas mais jovens, sendo portanto mais leves. Mais uma vez por definição, pessoas idosas são mais saudáveis, segundo o IMC, do que pessoas jovens.

Estes três detalhes fazem dos resultados do IMC completamente inapropriados para um diagnóstico correto. Uma pessoa pode apresentar um IMC considerado normal e ainda assim estar acima ou abaixo do peso, e uma pessoa com IMC fora dos padrões considerados normais também pode estar com um peso saudável. Alguns médicos afirmam que o IMC é apenas um guia, que as pessoas não podem se basear apenas nele. Mas muitos outros não colocam estas ressalvas e utilizam o IMC como medida de saúde dos outros, pelo menos em primeira instância.

A minha recomendação é que não se utilize o IMC para nada. Até mesmo uma simples espiada no espelho é mais precisa do que o IMC. Qualquer pessoa que sinta necessidade de verificar seu estado de saúde e composição de massa corpórea deve fazer um exame completo em uma clínica ou academia especializada que irá lhe fornecer um diagnóstico adequado. Só assim você poderá saber se está cuidando bem do seu corpo ou não. Fórmulas mágicas são muito práticas e cômodas, mas normalmente não servem pra muita coisa. -

Quinta-feira, Novembro 08, 2001

16:01 - Algumas semanas atrás eu escrevi a respeito de um ótimo filme sobre as drogas, Requiem For A Dream. Eu achava que o filme não tinha vindo para o Brasil. O que eu não sabia é que na verdade eu estava adiantado. O filme está estreando agora nos cinemas brasileiros com o nome Requiém Para um Sonho. Não percam. -


14:44 - Ainda sobre futebol.... Quem é o matemático imbecil que calcula as chances de classificação da seleção para a Copa? No tal Chance de Gol existe o número absurdo: O Brasil tem 98,39% de chances de classificação. Peraí... Falta apenas um jogo, contra a Venezuela, e o Brasil se classifica com certeza apenas se ganhar. Como é que a partir destes fatos se chega a 98,39%? Será que os caras colocaram no cálculo a velocidade do vento no dia do jogo? Se o que se leva em consideração é o retrospecto entre os times, essa seleção atual se beneficia da época em que o Brasil ainda sabia jogar bola, porque hoje a supremacia sobre a Venezuela, mesmo em casa, não é tão certa. Mas mais do que dar ao Brasil grandes chances de classificação, o que me intriga é o 0,39%... Isso é que é exatidão. Claro, eu poderia mencionar que o mesmo site dava ao Brasil 69,2% de chances de derrotar a Bolívia, mas aí já seria maldade demais da minha parte. -


14:33 - Como todo brasileiro com consciência, ontem eu era boliviano desde criancinha. Acabei de descobrir que a Bolivia meteu 3x1 na seleção canalhinha. A altitude é sempre um fator a se considerar, mas não influenciou tanto quanto a falta de atitude dos jogadores brasileiros. Pena que agora eles ainda dependem apenas de suas forças, precisando ganhar um jogo em casa contra a Venezuela para se classificar para a Copa.

Antes que me perguntem o porque da torcida contra a seleção... Eu explico. Neste país, os três maiores entorpecentes são mulher pelada, religião e futebol. Me lembro de quando o Brasil ganhou a copa de 94... Todo mundo na rua festejando como se o nosso PIB anual fosse 5 Bilhões... Por alguns meses nós não tínhamos nenhum problema econômico ou social, tudo era festa. Sempre foi óbvia a torcida do governo a favor da seleção, com prêmios e mais prêmios aos jogadores vencedores (na copa de 94, o prêmio foi mascarado na forma de deixar o pessoal trazer o que quizesse lá de fora.... Vocês lembram? O povo não...). Quem sabe, com o Brasil fora da copa, nossos governantes não vão deixar de ter um grande aliado na manutenção do statu quo, e o povo terá uma desculpa a menos para estar feliz sem motivo, e prestará um pouco mais de atenção nos desmandos a que é submetido. -

Terça-feira, Novembro 06, 2001

18:39 - Finalmente chegou o momento de instalar um Linux na minha máquina. Como vou ter uma semana de descanso, resolvi partir para mais uma empreitada informática. O Rafa sugeriu a distribuição da Mandrake, e eu já estou puxando as imagens ISO dos três CDs de instalação... Depois preciso arranjar uma partição bonitinha pra ele e partir pra instalação. Dificilmente vou conseguir utilizá-lo por muito tempo nos primeiros meses, já que poucos dos aplicativos que uso têm versões para Linux... Mas espero com o tempo me livrar da escravidão Microsoft de uma vez por todas. Me desejem sorte. -


11:11 - Frase do dia:

"A internet é o karaokê do design gráfico"

- Eu -

Segunda-feira, Novembro 05, 2001

14:26 - Junte um grupo de designers e programadores extremamente competentes e que curtem música eletrônica e ambientes surreais em 3D e você terá O Produto. Um demo (peça promocional com música e gráficos) fantástico com apenas 63,5 Kb. Só vendo pra crêr. Faça o download do arquivo direto daqui. Dica do amigo desblogado Paulo Manteiga. -


11:16 - Cada vez me vejo mais anarquista. Diderot já dizia: "O Homem só será livre quando o último nobre for enforcado nas tripas do último padre". Pois agora eu faço um upgrade: "O Homem só será feliz quando o último político for enforcado nas tripas do último padre e os corpos forem jogados de um avião em cima do último banqueiro."

P.S.: O banqueiro foi incluído depois da gota d'água de hoje: Um limite diário instituido arbitrariamente no saque e cheque eletrônico por motivos de segurança que me fez passar carão na hora de pagar a conta de supermercado. Mais uma vez somos vítimas dos infelizes que pedem nosso dinheiro emprestado, cobram juros da gente por isso e ainda por cima depois não querem devolver. Filhos da puta.

P.S.2: Descobri que na verdade o problema não foi o limite, mas um erro no sistema que achou que eu tinha sacado um dinheiro que na verdade eu não tinha sacado. Ou seja, virei refém de bug. Solução? Não tem. Tenho que esperar três dias úteis para o "sistema" resolver a diferença. Mais uma dessas e incluo programadores na lista acima. -

Sexta-feira, Novembro 02, 2001

19:24 - Às vezes recebo críticas a respeito de meu combate a tudo o que é nonsense religioso. As pessoas dizem que sou muito duro e que não faz mal nenhum as pessoas terem suas crenças no divino. Pois cada vez mais vejo exemplos de que meu repúdio à religião não é infundado. Vivemos num país razoavelmente rico, se pensarmos em termos de recursos naturais. Temos um solo extremamente fértil, várias jazidas minerais, bastante mão de obra. Se fôssemos um povo organizado e que agisse em conjunto ao invés de cada um por si, o Brasil poderia sim ser uma potência mundial em índices outros que não apenas mortalidade infantil ou analfabetismo. Mas o que tem isso a ver com religião, você pergunta. Tudo a ver. Hoje assisti abismado pela televisão a trechos de mais um sermão idiótico de um tal Padre Marcelo, cheio de "estrelas" da música brega. E lá, na platéia, pude ver centenas de milhares de pessoas unidas e rezando por um mundo melhor (ou pela resolução de seus próprios problemas financeiros e de saúde, mais provavelmente). Ou seja, em nome de Deus centenas de milhares de pessoas se reuniram para fazer absolutamente NADA. Se essas mesmas pessoas fôssem às ruas para cobrar atitudes de nossos governantes, se não houvesse a estúpida religião para desviar as pessoas dos problemas que nos assolam em troca de um pedaço de terra no céu, talvez esse país saísse da miséria. Mas enquanto isso não acontecer, o Brasil continuará sendo eternamente o país do futuro. -

Quinta-feira, Novembro 01, 2001

15:05 - O Fireplace ficou um dia fora do ar graças a problemas com a Internic... Mas já está tudo normalizado. -

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Memorabilia
Livros

The Hacker Crackdown, by Bruce Sterling

The Demon Haunted World, by Carl Sagan

The Pleasure of Finding Things Out, by Richard Feynman

Immortality, by Ben Bova

Asimov's Guide To The Bible, by Isaac Asimov

Billions & Billions, by Carl Sagan

Contact, by Carl Sagan

Rendevouz With Rama, by Arthur Clarke

2001, A Space Odissey, by Arthur Clarke

Fundation, by Isaac Asimov

The End of Eternity, by Isaac Asimov

Neuromancer, by William Gibson

Shogun, by James Clavell

The Physician, by Noah Gordon

The Difference Engine, by Willian Gibson and Bruce Sterling

The Genetic Gods, by John Avise

The Collapsing Universe, by Isaac Asimov

Atom, by Isaac Asimov

Extraterrestrial Civilizations, by Isaac Asimov

The Hitchhiker's Guide To The Galaxy, by Douglas Adams

Neverwhere, by Neil Gaiman

The Eye of The World, by Robert Jordan

Snowcrash, by Neal Stephenson

Filmes

Seven, by David Fincher

Fight Club, by David Fincher

The Game, by David Fincher

The Matrix, by The Wachowski Brothers

Arlington Road, by Mark Pellington

Memento, by Christopher Nolan

Ronin, by John Frankenheimer

Requiem For A Dream, by Darren Aronofsky

MIB, by Barry Sonnenfeld