Terça-feira, Outubro 30, 2001
17:27
- Frase do dia: "Navegação é que nem juíz de futebol. Quando aparece demais, é porque não está fazendo o trabalho direito"
Eu mesmo -

13:33
- Não. Não o blog. -

Sábado, Outubro 27, 2001
13:34
- Acabou. -

Sexta-feira, Outubro 26, 2001
14:09
- Crenças que devemos evitar:
3 - Existe algum propósito na existência do Universo.
Esta crença é muito ligada à primeira da lista. Afinal, partindo-se do pressuposto que existem deuses e demônios para todos os lados se metendo em todos os lugares e assuntos, fica difícil imaginar que eles fazem isso tudo por nada. Os Persas, com o seu Zoroastrismo, chegaram a elaborar um intrincado conflito entre as forças do bem e do mal, com Ahura Mazda liderando as forças da luz e Ahriman liderando as forças das trevas (outro ponto interessante, que fica para discussão futura... Porque escuro é sempre ruim, e claro é sempre bom?). A batalha era tão acirrada que os esforços de um único indivíduo poderiam influenciar no resultado final. Antes de serem exilados na Babilônia, os judeus não possuiam o conceito de bem e mal. Tudo era Yahvéh, bom ou mal. Mas sob influência do Zoroastrismo o judaísmo acabou adotando a dicotomia do bem contra o mal, Deus contra o Diabo. Só que na sua insegurança, os judeus não deixaram dúvidas com relação a quem iria vencer no final. Ou seja, tiraram toda a emoção da coisa.
Por mais que essas histórias sejam interessantes, não é necessário dizer que deixam muito a desejar em seu caráter científico. As leis mais básicas da ciência não só servem de argumento contra essa tal batalha cósmica, como contra qualquer possibilidade de haver qualquer propósito no Universo. As Leis da Termodinâmica, ou da Teoria Quântica, por exemplo, assumem que tudo acontece através dos movimentos aleatórios de partículas, e dos choques e transferências de energias que decorrem destes. Mesmo que estatisticamente possamos prever o comportamento de um grupo de partículas num período longo de tempo, a partícula individual continua imprevisível, incógnita.
Esta forma de pensar provavelmente é a menos querida entre os "não-cientistas". Afinal, ela torna tudo sem sentido... Ou será que não?
Porque se faz necessário que todo o Universo tenha um propósito? Afinal, para mim um livro escrito em árabe pode não ter nenhum significado, fato do qual um árabe discordaria. Eu não entendo o que está escrito, mas ele entende. E mais... Por que não podemos nos contentar em organizar nossas vidas de forma a ter algum sentido para nós e para aqueles que amamos? Afinal, se a vida fizesse sentido para cada pessoa em particular, então todo o Universo faria sentido, pelo menos para ela.
É justamente a busca por um propósito que torna as nossas vidas sem sentido. Afinal, se formos apenas peões no esquema das coisas, que propósito seria esse? Prefiro ser livre sem sentido do que mais um tocando harpa no céu. Apenas os que vivem uma existência insípida podem encontrar consolo em um Universo planejado, como que para compensar a sua própria falta de personalidade. -

Quarta-feira, Outubro 24, 2001
18:15
- Poucas vezes vi comentários com uma ironia tão sutil quanto essa:
"I wish to propose to the reader's favourable consideration a doctrine which may, I fear, appear wildly paradoxical and subversive. The doctrine in question is this: that it is undesirable to believe a proposition when there is no ground whatever for supposing it true. I must, of course, admit that if such an opinion became common it would completely transform our social life and our political system; since both are at present fautless, this must weight against it."
Bertrand Russel, em "Skeptical Essays", vol I. -

Terça-feira, Outubro 23, 2001
14:37
- Quem freqüenta este blog sabe que raramente cedo à vaidade de postar algo meramente pessoal. Mas ninguém é de ferro. A personagem Maximillian Cohen, gênio matemático protagonista do filme Pi, defendia a idéia de que tudo à nossa volta pode ser representado por fórmulas matemáticas, e portanto segue um padrão. Mesmo os sistemas mais caóticos que conhecemos, como o clima ou as bolsas de valores, por exemplo, não fugiriam a esta regra e conteriam um padrão escondido em sua aparente randomicidade. Eu não sei quanto ao clima ou às bolsas, mas a minha vida com certeza segue essa norma. E nesse momento, em que mais um ciclo está se fechando, depois de bastante tempo investindo nos lados pessoal e profissional, retorno ao estado em que me encontrava quando todos os outros ciclos começaram: vazio. Totalmente vazio. E sem a menor pista de para onde este novo ciclo vai me levar. Sei que em breve, como das outras vezes, uma grande sensação de liberdade irá se apoderar de mim. Mas antes dela chegar muitas lágrimas ainda vão rolar. -

Segunda-feira, Outubro 22, 2001
10:29
- Das crenças que precisamos eliminar da face da terra:
2 - A morte na verdade não existe
Tanto quanto sabemos, o homem é a única espécie animal capaz de compreender a morte. Um indívíduo sabe, com certeza, como nenhuma outra criatura, que um dia ele irá inexoravelmente morrer.
Esse é um conhecimento estarrecedor, e não é difícil ficar imaginando o quanto ele afeta o nosso comportamento, de forma a torná-lo diferente de todos os outros animais. Ou talvez o efeito nem seja tão grande, já que evitamos a tanto custo falar a respeito. Quantos de nós vivemos nossas vidas como se esperássemos estar aqui para sempre? Quase todo mundo, creio eu.
Uma forma razoavelmente sensível de negar a morte é visualizar uma família como sendo a verdadeira unidade, e que enquanto a família viver seus componentes não morrerão de verdade. O que não deixa de fazer um certo sentido quando pensamos na bagagem genética passada de geração em geração, mas isso não deixa muito espaço para a preservação da consciência individual.
Nestas circunstâncias, obviamente, não ter filhos (principalmente homens) era um desastre total. Tanto era assim que mesmo a Bíblia contém leis que obrigavam os homens a tomar as viúvas de seus irmãos que ainda não tivessem filhos, para garantir a sua descendência.
O crime do bíblico Onan, o onanismo, não é o que você deve estar pensando, e sim a sua recusa em desempenhar este papel para o seu falecido irmão.
Existe uma outra forma de negar a morte, talvez mais popular e com certeza mais perigosa. Praticamente toda sociedade que conhecemos tem alguma forma de crença em uma existência "além vida". Existe um lugar para o qual algum resíduo imaterial do corpo humano pode ir depois da morte, mesmo que seja numa existência pálida e tediosa num lugar como o "Hades" grego ou o "Sheol" dos judeus. Com um pouco mais de imaginação, o além vida pode se tornar ou um paraíso eterno, ou um tormento eterno. Assim, a noção de imortalidade pode ser ligada a um conceito de recompensa e punição. Esse conceito foi muito propagado pela instituição católica, por exemplo, por questões óbvias. Enquanto a imensa maioria das pessoas na idade média viviam na miséria, elas poderiam ter a certeza de que delas seria o reino dos céus, onde elas então viveriam como deuses. E os ricos? Ah... Esses iriam para o Inferno, e bem feito pra eles, ha há.
Outra forma de cultuar a vida após a morte é colocá-la aqui mesmo na Terra, através da crença em reencarnação. Apesar dessa crença não ser parte de nenhuma grande religião ocidental, ela é tão reconfortante que qualquer mínima evidência a seu favor é aceita de pronto. Nos EUA, por exemplo, um livro bobo entitulado A Busca por Bridey Murphy foi lançado na década de 50, se tornou um best-seller e virou filme. Não é preciso dizer que o livro não tem nada que preste.
Mas mesmo assim, toda a doutrina do espiritualismo, todos os médiuns e ectoplasmas e fantasmas e poltergeists e um milhão de outras coisas são todas baseadas nesta firme insistência da humanidade em não admitir a existência da morte. Que alguma coisa perdura, que a consciência individual é imortal.
E o que é pior: é praticamente impossível eliminar essa insistência. Não importa quantos médiuns sejam comprovadamente expostos como charlatães, os crentes cairão nos braços do próximo que aparecer. Isso quando eles não se recusarem a aceitar as provas de charlatanice e continuarem a acreditar na farsa, por mais ridícula que seja.
Entretanto, difícil ou não, é necessário que nos esforcemos para erradicar mais esta crença. Enquanto ela traz conforto para o indivíduo, ela gera inúmeros efeitos colaterais extremamente nocivos, como a acomodação frente a dificuldades "terrenas", como a manutenção de um enorme rebanho de fiéis a mercê de um punhado de charlatães inescrupulosos, e como a exarcebação da diferença entre os povos, pois assim como os Deuses de um são os Demônios do outro, também o Céu de um é o Inferno do outro. Precisamor enfatizar a força do indivíduo, a nossa capacidade de suplantar obstáculos sem a ajuda de nenhuma força sobrenatural, e, acima de tudo, que esta nossa existência na Terra, por mais ínfima que possa parecer, é a única coisa que temos, e se deixarmos de lado os céus e infernos e nos unirmos para tal fim, poderemos, aí sim de verdade, criar o Paraíso na Terra. -

Quinta-feira, Outubro 18, 2001
16:02
- Como criar um sucesso de vendas, vol I:
Pegue uma marca gasta, que não esteja sendo utilizada há anos. Quanto mais popular melhor. Não é necessário que ela esteja em bom estado de conservação. Invista alguns milhões de dólares para convencer o público das classes A, B e C que não eram nascidos quando a marca era sinônimo que coisa barata e de baixa qualidade que ela é "fashion". Cobre o dobro do preço pelo qual ela era vendida em sua primeira encarnação. Afinal, o que é fashion não pode ser muito barato. Coloque a marca em milhares de pontos de venda pelo Brasil inteiro e apenas espere pelo rio de dinheiro. É isso que a Alpargatas, depois de fazer uma plástica nas Havaianas está fazendo com o Conga, aquele tênis horrível e desconfortável que fazia as pessoas acharem que você tinha uma plantação de queijo embaixo da cama. Logo logo à venda em diversas cores e modelos. Quem comprar não vale o ar que respira. E quem estiver perto, é melhor sequer respirar. -

10:42
- Ressuscitando a série Delicatessen Deus-me-livery, que presta uma homenagem às delícias da culinária com entrega EM domicílio, como o Suco Homeopático, o Pastel Asa-Delta e a Salada Microbiótica... O prato de hoje é o
4 - Misto Quente Holográfico. Nesta finíssima iguaria vendida em botequins de esquina selecionados, o principal ingrediente, que dá nome ao sanduíche, é o presuntado holográfico. Obtido através do cuidadoso armazenamento do presuntado comum em depósitos especiais com a temperatura controlada (40º C), quando pronta esta lúdica peça proteica nos oferece o inigualável prazer de visualizar as mais ricas obras abstratas em holografias que abrangem todo o espectro luminoso. Para melhor aproveitar o efeito, recomenda-se que se coma contra a luz. Mas isso não é tudo... Pois o sanduíche recebe o toque final ao se adicionar o delicioso queijo vulcanizado Alpargatas e uma cremosa maionese (ou junhonese, julhonese, etc, dependendo do mês em que a validade venceu). Quantos não foram os extasiados clientes que perceberam depois de comer o sanduíche que os hologramas eram apenas uma amostra das viagens psicodélicas proporcionadas no dia seguinte.
P.S.: Aos novos freqüentadores do FP que queiram conhecer as outras guloseimas da Delicatessen Deus-Me-Livery: Dêem uma pesquisada nos arquivos... -

Quarta-feira, Outubro 17, 2001
21:07
- Alguns dias atrás estava escrevendo a respeito de um punhado de crenças que considero serem os proncipais obstáculos para um dia alcançarmos uma sociedade mais igualitária. Também escrevi que explicaria com mais detalhes cada uma delas separadamente. Pois bem, vou começar com a primeira: 1 - Existem forças sobrenaturais que podem ser influenciadas ou forçadas a proteger a humanidade.
Esta é a essência da superstição. Quando uma sociedade primitiva com uma economia baseada na caça é confrontada com o fato de que às vezes a comida é farta, outras vezes é escassa, quando uma sociedade primitiva agricultural assiste à seca num ano, e à enchente no outro, é natural assumir, por falta de explicação melhor, que alguma força sobre-humana organiza o mundo desta forma. E como a natureza parece caprichosa, seria lógico chegar à conclusão de que os deuses, espíritos, demônios (ou seja lá qual for o nome que eles recebam) também sejam caprichosos, e desta forma possam ser influenciados a tomar ações que beneficiem uma sociedade.
Entretanto, ninguém assume que isto seja fácil, e apenas os mais sábios e valorosos de uma população teriam condições de fazê-lo. Aí nascem os "manipuladores de espíritos", o clero, em sua definição mais abrangente. E não estaria longe chamar essa manipulação de "magia", afinal, o termo vem de "magi", nome dado aos sacerdotes do Zoroastrismo. A aceitação desta crença é quase universal. Em todas as áreas da sociedade, seja entre os pobres ou ricos, incultos ou intelectuais, em diferentes graus, quase todos mantém pelo menos resquìcios dessa crença em "magia". Quando uma pessoa coloca uma ferradura na parede, ela está afastando a má-fortuna através do poder do ferro contra espíritos que nunca saíram da Idade do Bronze. Também apelamos para esta mesma magia quando batemos na madeira, por exemplo.
Muitos utilizam o argumento de que a magia sempre esteve à nossa volta, e portanto tem que ser verdadeira. Afinal, se não fosse verdade, as pessoas já teriam abandonado estas manias há tempos, não? Infelizmente, a coisa não é tão simples. Primeiro, muitas das práticas são inofensivas. Se bater na madeira realmente funcionar, você receberá a recompensa. Se não, nada de errado irá acontecer. Ou seja, você não tem nada a perder. Digamos que você bate na madeira e nada de ruim acontece. Pronto! É claro que foi porque você bateu na madeira. Poderia-se argumentar que se você voltasse no tempo e não batesse na madeira, nada de ruim aconteceria do mesmo jeito, mas este é um experimento impossível até agora. Ou digamos que em dez dias seguidos você cruza o caminho de um gato preto e passa debaixo de uma escada, e nada acontece. Mas no décimo primeiro, não cruza com o gato nem passa debaixo da escada, mas ainda assim você é atingido por uma lata de tinta. Você poderá argumentar que se tivesse visto o gato e passado embaixo da escada, você não teria apenas sido atingido. provavelmente a lata de tinta teria te matado. Ou seja, se você quiser acreditar, você irá acreditar! Seja no que for.
Claro que existem situações em que uma crença funciona. O ator que ouvir alguém assoviando no camarim ficará tão nervoso que realmente gaguejará na hora de recitar as suas falas, ou o acrobata, depois de afagar o pé de coelho, se sintirá tão confiante que atuará de forma perfeita. Em outras palavras, mesmo que mágica não funcione, é verdade que a crença na mágica pode funcionar. Entretanto, este é um risco que considero mais prudente não correr.
E mesmo quando as crenças começam a ficar absurdas demais para continuar a angariar seguidores, elas sofrem mutações com o auxílio de pseudo-ciências. Assim, da mesma forma que no passado tínhamo anjos e demônios descendo às Terra para interferir nas nossas vidas, hoje temos OVNIs (segundo alguns). Na verdade, acredito que a popularidade dos OVNIs venha justamente dessa facilidade de associação à anjos, e não é raro encontrar teorias que dizem exatamente isso baseadas em textos sagrados obscuros.
De qualquer forma, o mais importante não é discutir a veracidade destas crenças, e sim o fato de que elas são mais um fator de antagonismo entre as pessoas. Afinal, é comum o Deus de uma sociedade ser o Demônio da outra. E aí, não existe diálogo. Enquanto as manifestações de superstição mais brandas podem ser inócuas, elas podem pavimentar o caminho para crenças mais fundamentalistas e perigosas. Por isso afirmo que somente a partir do momento em que essa crença deixar de existir, se é que isso um dia acontecerá, poderemos sonhar com uma sociedade justa. -

Sexta-feira, Outubro 12, 2001
19:10
- Recentes pesquisas indicam que os bombardeios no Afeganistão estão sendo financiados por uma organização secreta de blogueiros sem assunto. Maiores detalhes na próxima edição. -

Quarta-feira, Outubro 10, 2001
07:46
- Engraçado como os astrólogos vivem se enforcando na própria corda, e o que é pior, nem percebem. Estava lendo um texto que deveria descrever as características de todas as pessoas nascidas entre 21/04 e 20/5, os ditos "taurinos", arquétipo no qual fui involuntariamente incluído. Pois bem... O texto segue sem maiores problemas (nem soluções, aliás...) até este trecho:
"Símbolos não são com ele. Cinqüenta minutos de conversa sobre arquétipos só vão causar bocejos. Como o touro é, igualmente, um pacifista nato, tentar persuadi-lo de que não anda bem porque lá na sua infância odiava o pai (já que desejava a mãe e tal), é perda de tempo. Ele vai achar que o maluco é o analista, que nunca viu a senhora em questão e se mete a imaginar um affair entre ela e ele, trinta anos atrás."
Ou seja, o texto afirma que taurinos e psicanálise não combinam, e que para um taurino essa história de complexo de Édipo é a maior furada. E daí, você pergunta? Bem... O texto não teria nada de errado por si só... Até a hora em que você vê a lista de taurinos famosos: lá, bem no meio, quieto como quem não quer nada, está Freud! Contraditório? Não, imagina. -

07:10
- Hummm..... Entrevista ridícula na PC World com a modelo virtual bestial SeteZoom??? Será que você também está sentindo um cheirinho de jabá no ar?
P.S.: O termo "jabá" vem de "jabaculê", e é utilizado para designar os presentinhos que se dá em troca de divulgação, seja nas rádios ou em revistas. Na televisão, arrumaram um jeito de desviar a atenção desta prática perniciosa de abuso do poder econômico. Mudaram o nome para merchandising. -

06:46
- Uma semana atrás mandei um e-mail para o Padre Marcelo perguntando para onde ia cada centavo da venda dos seus CDs. Curiosamente, até agora não obtive resposta. Como tenho fé em Nosso Senhor Jesus Cristo (argh!), ainda não perdi as esperanças de ter uma resposta. Quem sabe no dia do Juízo Final. -

Terça-feira, Outubro 09, 2001
10:57
- Enquanto anda, ouça seu batimento cardíaco. Sinta o fluxo do sangue pelas suas veias. As gotículas de suor sendo expelidas quase imperceptivelmente de cada poro do seu corpo. O leve toque do vento fazendo-as evaporar e trazendo a sensação de refrescância. Sinta a pressão do solo sobre as solas dos pés e a sutil onda de choque que percorre o seu corpo, desde o calcanhar até o último fio de cabelo. A ligeira flutuação do seu ponto de equilíbrio enquanto seus braços e pernas se movem para a frente e para trás. O coração acelerando lentamente o passo, junto com suas pernas, para garantir o suprimento adequado de oxigênio aos seus músculos. A hipófise despejando pequenas quantidades de endorfinas em sua corrente sanguínia, para relaxar e diminuir o stress nos tecidos sujeitos ao desgaste da atividade física, ao mesmo tempo em que aguça ligeiramente o seus sentidos e a consciência do ambiente à sua volta.
Da próxima vez em que você sair para andar, ou correr, ao invés de buscar soluções para os seus problemas em divagações que o levam para fora de si mesmo, preste atenção no que existe dentro de você. Porque esse é o único lugar onde você poderá encontrar alguma resposta. -

04:04
- Num mundo cheio de percalços como o nosso, as pessoas tendem a cultivar qualquer tipo de idéia que forneça a elas algum conforto, alguma segurança. Qualquer pequena evidência, por mais cirscunstancial ou sem sentido que seja, é abraçada com ímpeto, enquanto evidências que comprovem a falsidade de tal crença, por mais fortes que sejam, serão colocadas de lado ou, se realmente fortes, podem até mesmo ser combatidas com violência. Tenho convicção de que estas "crenças de segurança" estão entre os maiores obstáculos a serem ultrapassados antes que a humanidade atinja um patamar de civilidade e igualitarianismo razoáveis. Entre as crenças mais importantes (e mais perigosas), sobre as quais irei escrever separadamente no futuro próximo, estão:
1 - Existem forças sobrenaturais que podem ser influenciadas ou forçadas a proteger a humanidade.
2 - A morte na verdade não existe.
3 - Existe algum propósito na existência do Universo.
4 - Pessoas podem desenvolver poderes especiais que permitirão a elas conseguir algo sem fazer esforço.
5 - Você é melhor do que a pessoa ao seu lado.
6 - Se alguma coisa dá errado, não é culpa sua.
A partir do momento em que deixarmos essas crenças de lado poderemos começar a construir um mundo melhor para os nossos filhos. -

03:47
- A MarinaW citou a Isto É:
"A Suprema Corte dos EUA proibiu o ex-presidente Bill Clinton de exercer a profissão de advogado porque ele mentiu no depoimento que prestou sobre o caso Monica Lewinsky."
E desde quando ser advogado tem alguma coisa a ver com falar a verdade? -

Segunda-feira, Outubro 08, 2001
15:33
- O Taliban proíbe que os afegãos assistam à TV. Eles devem ter visto o que as nossas redes de televisão transmitem por aqui. Bem, já não se pode dizer que lá só tem coisa ruim. -

15:08
- Assisti ao tal depoimento de Bin Laden, falando muito de Allah, que os terroristas faziam parte de um grupo muçulmano abençoado por ele, etc... Não vou nem entrar no mérito do absurdo que essas afirmações significam do ponto de vista do Alcorão. O que me faz refletir, mesmo, é... Se o Bin Laden fosse tão idealista quanto prega, ele estaria num dos aviões que foram jogados contra o WTC. O fato de ele não estar mostra o quanto essa história de fanatismo serve apenas como fator de manipulação para satisfazer à sua própria agenda pessoal. -

14:43
- É difícil encontrar uma charge a respeito da situação EUAxTerrorismo que seja tão cirurgicamente precisa quanto essa. Link enviado pelo amigo desblogado Fernando Ladeira. -

00:27
- Me deixou um tanto envaidecido descobrir que uma busca pela palavra "fireplace" no Google traz este humilde blog em primeiro lugar numa lista de 850 mil sites. Como o Google tenta indexar os resultados em ordem de importância, e "fireplace" é uma palavra bastante comum na língua inglesa, e portanto gera milhares de resultados, não deixa de ser uma surpresa esta ocorrência. -

Sábado, Outubro 06, 2001
04:52
- Estava lendo a respeito do MMARV (Movimento das Mulheres que se Apaixonam pelo Reino Vegetal)... Será que alguém perguntou a opinião dos pobres legumes a respeito? Vamos nos unir e criar a SALADA, Sociedade Amigos dos Legumes Aviltados por Deslumbradas Assanhadas. Se você, pepino, ou você, abobrinha, se sentirem perseguidos e quiserem escapar de destino tão lúgubre, nós lhe forneceremos asilo político em nossa SALADA. -

04:25
- Da minha crítica às Delícias elas poderiam tirar muita coisa. Mas parece que a única que elas tiraram foi a tal história dos palavrões. Fazem gracinhas, desviando a atenção de outros assuntos muito mais importantes. Enquanto minha crítica se referia ao conteúdo, suas respostas se referiam à minha pessoa (infantil, falso moralista, etc...). Com exceção da Zel, que, se não concordou comigo, pelo menos argumentou ao invés de partir para ataques pessoais. Isso me lembrou o pré-primário, quando as menininhas ofendidas retrucavam me chamando de "formigo", ou "feio". Eu poderia dizer que isso é uma indicação da paradoxal superficialidade de alguns egos tão profundos, mas não vou. -

Sexta-feira, Outubro 05, 2001
04:40
- Hoje todos nós sabemos que a Terra gira em torno do Sol. Ou será que não? Bem, estes caras aqui não só acham que não como afirmam categoricamente que o Heliocentrismo é uma conspiração para desacreditar a verdade absoluta da Bíblia. Como acompanhamento sugiro uma boa dose de curiosidade mórbida. Como dizia Darwin:
"Ignorance more frequently begets confidence than does knowledge: it is those who know little, and not those who know much, who so positively assert that this or that problem will never be solved by science." -

Quinta-feira, Outubro 04, 2001
20:25
- Outra pergunta que não quer calar... Por quê virou lugar comum utilizar a palavra "infantil" como sinônimo de "idiota"? Vejo muita gente usar "tal coisa é infantil", "fulano é infantil"... Pois queria eu ter resguardado muitas das virtudes que tinha na infância e que foram arruinadas pelo convívio com pessoas "maduras". -

17:07
- Lendo os escombros dos relatos e opiniões a respeito do atentado do dia 11, vejo menções ao livro de Tom Clancy que narrava a cena de um avião se chocando com o pentágono. Quem acha que o romance foi "profético" (claro que por coincidência...), talvez se interesse por um fato bastante similar ocorrido no caso do desastre do Titanic:
14 anos antes do Titanic iniciar sua viagem inaugural de Southampton para New York em abril de 1912, um romance chamado "Futility", de Morgan Robertson, foi publicado, e contava a história de um transatlântico "inafundável", o maior do mundo. No navio, que tinha dimensões e desempenho extremamente semelhantes aos do Titanic, também nã havia botes salva-vidas suficientes, e sua lista de passageiros era igualmente a "crème de la crème" . No livro, em uma noite fria de Abril, o "inafundável" navio fictício se choca com um iceberg e vai parar no fundo do oceano. O nome desse navio era "The Titan".
Fico apenas imaginando o que as pessoas diriam desse romance se o Titanic tivesse afundado ontem. -

00:37
- Aliás, falando em drogas... Assisti, em Divx, a Requiem For A Dream (2000), dirigido por Darren Aronofsky, que também assina a direção de Pi - The Movie. Requiem é um retrato denso, pesado, mas muito bem pintado de como as drogas podem destruir a vida de pessoas que de outra forma poderiam ter uma existência feliz. A atuação do quarteto protagonista (composto por Ellen Burstyn, Jared Leto, Jennifer Connely e Marlon Wayans) é exemplar. A edição do filme é perfeita. A trilha sonora do Clint Mansell às vezes deprime, às vezes conforta, na medida certa. Pedida ideal para quem quer um break de filminhos água-com-açúcar-com-final-feliz. Neste, a vida é dura, e as drogas, se não matam, nos deprivam de tudo que temos de humanos. -

Quarta-feira, Outubro 03, 2001
22:20
- Esclarecimentos: Alguns pontos da minha crítica abaixo parecem não terem ficado muito claros. Pois vamos a eles:
Palavrões. Ao contrário do que pode ter transparecido, não estava criticando o fato puro e simples de se utilizar o palavrão. Não uso aqui cotidianamente simplesmente porque é um recurso de linguagem que não adiciona nada ao meu discurso. Os assuntos normalmente não são compatíveis com eles. Entretanto, não tenho nada contra palavrões. Falo muitos deles, como todo mundo, e em certas situações até acho que eles têm um certo charme apócrifo. Obviamente, palavrões e sexo estão intimamente ligados, e isso já é motivo suficiente para os posts das delícias conterem palavrões. Seria estranho se não os contivessem. Entretanto, assim como o antibiótico que se muito utilizado diminui em eficácia, os palavrões, usados de forma indiscriminada, acabam se tornando inócuos. Estão ali, mas não acrescentam nada, e com o tempo ninguém nem mais nota. Outro fator é que o palavrão, como expressão de interjeição, muitas vezes substitui inadequadamente um raciocínio que poderia ser mais articulado. Não existe nada de moralismo nisso.
Drogas. Neste ponto minha posição é mais clara: sou contra o seu uso, sim, por motivos mais do que óbvios. Entretanto, apesar de condenar o seu uso genericamente, reconheço os direitos do indivíduo de fazer com o seu corpo o que bem entender. É obvio que drogas dão um bom barato, afinal, se não fosse assim não seriam utilizadas. Mas assim como acho que quem precisa contratar uma prostituta para poder ter acesso a sexo já não faz por merecer logo de cara, acho que quem precisa da droga para sentir um barato não merece o barato que ela dá. E essa frase tem um significado um pouco mais profundo do que aparenta a princípio. Esta é minha opinião, e é claro que outras pessoas podem ter opiniões diferentes. Entretanto, creio que apologias à droga na linha de "droga tal é do bem, dá maior barato" não é só omissa com relação aos efeitos nocivos da droga como pode ser considerada um endosso à sua utilização, mais do que uma pura opção pessoal de usá-la. É aqui que ficam minhas ressalvas. Quanto à defesa de que existem argumentos tanto para um lado quanto para o outro dentro do blog, enquanto ele trás algum alento, não elimina o problema como eu o vejo. É claro que um blog coletivo é uma colcha de retalhos de diversas opiniões diferentes a respeito de vários assuntos. Mas o fato de não haver nenhuma forma de filtro (ou seja, todos os posts estão lá alinhados, sem distinção de credo ou cor...), faz com que o conteúdo precise ser analisado em uníssono. Não importa se o blog é escrito por várias pessoas diferentes ou por uma única esquizofrênica desvairada.
Sucesso. Mais uma vez repito: Não tenho nenhum problema com relação à existência do blog. Este, como qualquer outro, tem mais é que existir, sim. Todo asssunto é passível de ser tratado, e sexo é sim interessante em muitos aspectos. Acho ótima a proposta de liberdade acima de tudo. O que questiono são níveis de excelência atribuídos ao blog por outros. O argumento de que o blog tem posts acima da média não serve de muito alento. Afinal, elas próprias reconhecem a banalidade que invade a grande maioria dos blogs. Banalidade essa que começa a perigosamente andar junto com o próprio termo "blog" no imaginário de muitos. Portanto, algo pode ser muito melhor que a média, e ainda não ser de boa qualidade. Claro, esta é uma opinião pessoal, que poderia ser traduzida de forma mais simplista assim: o blog faz sucesso porque trata de sexo. O modo como o faz é irrelevante neste quesito. Isto não tem qualquer conteúdo moral. É apenas uma constatação dos fatos.
Conclusão. O Delícias não é intrinsecamente ruim, ao meu ver, contenha posições questionáveis moralmente ou não. Mas creio que poderia ser muito mais, pela própria proposta das garotas. A popularidade está garantida, mas a unanimidade, obviamente, nunca poderá ser alcançada. Não só por elas, mas por este e todos os outros blogs espalhados pela rede.
P.S.: Antes que meu comentário a respeito de sexo e prostitutas gere reações adversas, explico melhor: Considero o sexo algo natural, espontâneo por natureza. A partir do momento que se paga por ele, ele deixa de ser espontâneo, e perde toda a razão de ser. Contratar uma prostituta se torna, nesse sentido, a mesma coisa que jogar baralho com alguém e pagá-lo pra perder. Perde-se a conquista, a reciprocidade, o sentido. Assim como posso perder num jogo de cartas, dependendo da minha habilidade com as regras do jogo, posso perder no jogo da sedução. Mas prefiro assim. Sem cartas ou notas marcadas. Porque assim, não um, mas os dois lados têm tudo a ganhar. -

06:17
- Há. Coincidentemente acabei de ler os posts do Mav a respeito de como tornar um blog impopular e das listas de favoritos. Não poderia dizer melhor. Faço minhas as suas palavras, Mav. Com sua autorização, é claro. -

06:03
- Eu sei que isso provavelmente vai gerar um bocado de hate mails. Mas o que é que tanta gente vê de interessante no tal de Delícias Cremosas? Sei que muita gente pensa assim, mas provavelmente não o diz com medo de se tornar impopular. Bem, dane-se a popularidade. Visitei o tal blog umas 4 ou 5 vezes. Não queria chegar a conclusões precipitadas. Mas tudo o que vi lá foram posts preconceituosos com relação a ambos os sexos, conselhos nada recomendáveis com relação à drogas e bebida, lugares-comuns e palavrão atrás (e na frente) de palavrão.
Não tenho nada contra as pessoas que lá escrevem. A única com a qual já troquei algumas palavras sempre me tratou com respeito, e por isso reafirmo: Isto não é uma crítica pessoal. Todos têm o direito de escrever o que bem entenderem, mesmo quando esse direito acaba banalizado. O que me intriga não é o fato de o blog existir. O que me intriga é o fato do blog fazer sucesso. Sei que deveria encarar isso como óbvio, que qualquer discussão que envolva sexo sempre irá atrair a atenção do público em geral (e não sei até que ponto o blog não explora este próprio tabu propositadamente), mas tenho visto pessoas que considero esclarecidas exaltarem certas qualidades que não encontro. Vejo o mérito dele existir como um espaço totalmente livre para as participantes divagarem a respeito de sua sexualidade e da sexualidade dos outros. Mas a meu ver o resultado tem ficado muito aquém da proposta.
P.S.: Antes de se indignarem com a minha crítica, aos partidários do referido blog enfatizo que me utilizo da mesma liberdade de expressão por elas apregoada. E um post com críticas é tão apropriado quanto um post com elogios. Ambos são expressões da individualidade de quem escreve. -

01:14
- Estou pensando em iniciar um blog coletivo a respeito de mitologia vampírica e afins. Quem quiser participar, ou quiser mais detalhes, mande um e-mail. -

Terça-feira, Outubro 02, 2001
17:59
- Quantas vezes você já ouviu alguém se utilizar de um ditado popular para justificar seus atos ou pensamentos? E você, quantas vezes já o fêz? Essas "pérolas" da sabedoria popular estão aí para nos guiar em nosso dia-a-dia... Ou será que não? Bem... Quando existem ditados para justificar qualquer ato, começa a ficar difícil acreditar neles... Iniciando minha Campanha contra o Velho Ditado, coloco uma pequena lista de ditados contraditórios que usamos cotidianamente, sem perceber a idiossincrasia:
| TESE |
ANTÍTESE |
| Água mole em pedra dura, tanto bate até que
fura |
A corda sempre arrebenta do lado mais fraco |
| Melhor prevenir do que remediar |
Quem não arrisca não petisca |
| Onde há fumaça, há fogo |
As aparências enganam
|
| O que valhe é a boa intenção |
De boas intenções o inferno está cheio
|
A pressa é inimiga da perfeição
|
Jacaré parado vira bolsa de madame
|
| Antes só do que mal acompanhado |
Mal com ele pior sem ele |
| Com o tempo tudo se cura. |
Gato escaldado tem medo de água fria |
| O hábito não faz o monge
|
Diga-me com quem andas e saberei quem tu és |
| Os melhores perfumes estão nos menores frascos |
Os piores venenos estão nos menores frascos |
| O que os olhos não veem, o coração não
sente |
O pior cego é o que não quer ver |
| Quando a esmola é grande até o santo desconfia
|
A cavalo dado não se olha os dentes |
Quem avisa amigo é
|
Se conselho fosse bom, não se dava, vendia. |
| Melhor um pássaro na mão do que dois voando |
Uma andorinha só não faz verão |
O silêncio é de ouro
|
Quem não chora não mama |
Rir é o melhor remédio
|
Muito riso, pouco sizo |
Pronto. Agora quando alguém usar um destes ditados você já sabe como responder. -
16:58
- Seguindo a moda de "Amnésia"...Conseqüência: Até meados de outubro não vou ter tempo para nada. Até para respirar vou ter que olhar antes na minha agenda. Causa: Dois projetos de design em fase final. -

16:43
- Aqueles que acompanham esse blog devem se lembrar de uma pergunta que enviei à astróloga Roberta Totora, que rebatia as críticas à astrologia como sendo infundadas, a respeito de algumas das falhas desta "ciência". Em tempo: nunca recebi resposta. Acredite... Se quiser. -

16:37
- Por falar em Padre Marcelo... Toda e qualquer religião deveria ser proibida para menores de 18 anos. Se você precisa atingir a tal "maturidade" para decidir quanto a guiar um carro ou abrir uma empresa, ou mesmo quanto a presenciar a nudez do sexo oposto, então você precisaria dessa maturidade também para poder ser exposto a conceitos como o "pecado original" ou a "danação eterna". Igreja e cinema pornô, só depois dos 18. -

16:11
- Pergunta que não quer calar: Para onde vão os 20 e poucos reais da venda de cada CD do Padre Marcelo?
Pergunta enviada. Esperando por resposta do próprio. -

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