Sexta-feira, Setembro 28, 2001

09:20 - Às vezes me assusta o absurdo que as pessoas fazem para aparecer. Tem aqueles para os quais o termo "pendurar uma melancia no pescoço" é eufemismo. Como os gêmeos embotados ridículos que resolveram "inovar" em body modification: removeram cirurgicamente o braço direito de um e implantaram no tórax do outro. Agora temos um imbecil com um braço que não funciona pendurado no tórax e outro que não consegue mais sequer cortar um bife. Tenho uma sugestão para eles... Por não amputam o pênis de um e implantam no cu do outro? Desculpe o baixo calão, mas este tipo de coisa me revira o estômago. Não as mutilações, e sim a estupidez. Quem tiver a curiosidade mórbida de conhecê-los, dêem uma procurada no HyperSpeed, onde tem o link pra matéria com eles. Eu me recuso.

P.S.: Antes que os mais moderninhos por aí venham me taxar de retrógrado, eu não tenho nada contra algumas formas de body modification, como tatoos ou piercings. Tudo é uma questão de bom senso e bom gosto. Minha namorada tem 3 tatoos e um piercing, e acho que ficam super bem nela. Mas quando começo a ver aqueles caras ou garotas com 15 piercings na língua, cicatrizes horrorosas, que eles têm a audácia de chamar de arte, por todo o corpo, aí já acho um pouco meio muito. -


09:12 - Ouvindo alguns comentários de amigos a respeito de erros crassos de português em estabelecimentos comerciais, me lembrei de um restaurante híbrido de japonês e chinês que fica (ou ficava, não passo lá faz tempo) na R. Tabapuã. Nunca entrei, e o motivo faz-se óbvio: o restaurante vendia rolinha primavera, IakimeXi e têmpora de camarão...

Ah... Outro lugar em que não entro mesmo: restaurante por Kilo. -

Quinta-feira, Setembro 27, 2001

18:54 - Descobri uma saída para a minha falta de tempo de ir ao cinema. Chama-se "Speedy+Morpheus+DivX". Lista de downloads: Fight Club, Memento, Snatch, Pearl Harbor, Swordfish e X-Men (so far). Lista de espera: Jurassic Park III, Final Fantasy, A.I., A Knight's Tale e Shreck.

P.S.: Para quem tiver curiosidade, cada filme (com qualidade) tem em média de 500 a 800 Mb, dependendo da duração. -


17:25 - Angelina Jolie doa US$ 1 milhão para refugiados afegãos.

Êta mulherzinha porreta, sô. Será que a Amazon vai fazer o mesmo? -


00:48 - Outra coisa irritante: Esta história das tais caras de demônios que teriam aparecido na fumaça do WTC. Quem divulga essa história como se fosse séria não merece o menor respeito. E quem acredita, não conhece nada de como o nosso cérebro funciona. Quando olhamos para uma cadeira, por exemplo, não reconhecemos uma cadeira logo de cara. O processo é muito rápido, praticamente imperceptível, mas existe um pequeno espaço de tempo em que o nosso cérebro compara a imagem recebida pela nossa retina com um sem número de outras imagens, e descobre que o que estamos olhando é algo que chamamos de "cadeira". Logo em seguida, nosso cérebro encontra em seu enorme banco de dados o significado do termo "cadeira", e só então percebemos para que é que aquilo serve de verdade, e nos sentamos nela, se quisermos. É assim com todos os objetos que vemos no dia-a-dia. Quando encontramos um objeto que nunca vimos antes na vida, não temos a menor idéia da sua utilidade, até que armazenemos mais iformações a respeito na mesma ou em outras oportunidades, até associarmos um significado à forma. Precisamos associar um idéia à imagem. Muitas vezes o novo objeto é semelhante a outros que conhecemos a ponto de desenvolvermos com uma certa rapidez uma noção da sua utilidade. Outros são tão estranhos que nos deixam completamente sem pistas até que alguém nos explique. O que importa é que o nosso cérebro está o tempo todo comparando as coisas que vemos com as coisas que temos armazenadas em nosso banco de memórias. Quando observamos um objeto amorfo, como uma nuvem de fumaça, ou uma formação rochosa, tentamos enquadrá-lo em nossa visão do mundo. Associamos a ele um objeto do cotidiano que seja parecido o suficiente. Por isso vemos seios em montanhas, animais nas nuvens, faces demoníacas na fumaça. E, dentre todos estas imagens, a que mais facilmente conseguimos associar com objetos amorfos é o rosto humano. Por quê? Muito simples. É muito importante para nós aprendermos a reconhecer desde que nascemos, em primeiro lugar, rostos humanos, e em segundo lugar, nossos pais. Isso é uma simples questão de sobrevivência. Temos desde tenra idade armazenados em nosso cérebro todas as nuances e variações que compôem a imagem de um rosto. É muito fácil identificarmos alguns deles em formas amorfas. A nossa imaginação faz o resto. A partir do momento que reconhecermos apenas um, ou dois, elementos de um rosto, imaginaremos o restante para completar o cenário, ao invés de ficar com uma imagem amorfa. Por isso, o que deveríamos achar estranho não é o fato de enxergarmos a cara do Dêmo na fumaça do WTC. O que deveríamos achar estranho é olharmos para a fumaça não vermos imagem nenhuma. -


00:06 - Você quer acabar com o problema das crianças de rua que ficam pedindo dinheiro com cara de fome (provavelmente verdadeira) na janela do seu carro quando fecha o farol? É fácil: Nunca dê esmolas. Essas crianças são a forma que seus pais conseguiram encontrar de explorar nosso complexo de culpa por viver relativamente bem, enquanto outros mal podem sobreviver. Enquanto os pais (normalmente gordos e sujos) sentam-se em um canto esperando o tempo passar, as crianças enfrentam o frio, a chuva, a fome, e a reprovação quando elas não voltam com dinheiro depois que o farol abre. Por que os pais fazem isso? Porque isso dá mais dinheiro e é mais fácil do que arrumar um emprego de lixeiro, ou gari, ou trabalhar na roça. Para eles gari não é emprego. Acho que só se contentariam com uma cadeira numa assembléia de vereadores em alguma cidadezinha do interior. Mas estes pais só podem fazer isso porque existem pessoas na rua que lhes entregam dinheiro! Essas pessoas não vêem, em sua ânsia de se livrar da tal consciência pesada, que estão causando um mal enorme àquelas crianças, e à sociedade em geral, alimentando a subsistência de milhares de garotos que já nascem sem qualquer perspectiva de vida. Se não houvesse este assistencialismo barato, os pais teriam que parar de fazer filhos, já que eles seriam um gasto e não uma fonte de renda, e teriam que procurar um emprego. Há os que dizem que é melhor eles pedirem do que tomarem. É verdade que uns poucos poderiam enveredar pelo caminho do crime (não que já não o façam mesmo assim), mas o fato é que a imensa maioria simplesmente não teria coragem nem capacidade para fazer qualquer coisa além de ficar sentado numa esquina dando ordens para um batalhão de crianças de 3 à 12 anos de idade. Por isso, repito: Politicamente correto o escambau! Chega de tentar tapar o sol com peneira. CHEGA DE HIPOCRISIA. CHEGA DE ESMOLAS. Tenho certeza que a partir de então deixaremos de ser reféns de rodinhos velhos e baldes de água suja. -

Terça-feira, Setembro 25, 2001

13:25 - Sabe qual é a melhor coisa de um blog? Eu só escrevo alguma coisa quando estou a fim. Não existe obrigação. O fato das pessoas passarem por aqui é responsabilidade delas, não minha. Ao visitarem meu blog, elas aceitam as minhas regras do jogo. Passam a viver por alguns minutos no meu próprio mundo. E nenhum mundo é um lugar interessante de se viver 100% do tempo. Por quê? Porque as pessoas se preocupam mais com as coisas que você faz do que com as coisas que você realmente é.

"You are not your job. You are not the money in your bank account. You are not the car you drive. You are not how much money is in your wallet. You are not your fucking khakis. You are the all-singing, all-dancing crap of the world." - Tyler Durden -

Sábado, Setembro 22, 2001

06:36 - Descrição do Fireplace no diretório de blogs do Yahoo:

"Alta temperatura de seus pensamentos congelantes"

Esse absurdo veio da pseudo-tradução de "High temperature logs to keep your thoughts from freezing". Uma tradução mais acertada seria "textos em alta temperatura para evitar que seus pensamentos congelem". Mas vou dar um desconto. Vai ver o ser clorofilado que escreveu o texto ainda não tinha sido regado naquela semana e seus neurônios estavam meio desidratados. -

Sexta-feira, Setembro 21, 2001

21:10 - Continuando com o espaço do leitor, publico uma carta da minha amiga Jade Walsh (que entre muitas loucuras, já respondeu como Sra. NightHiker), destinada ao jornalista Fernando Rodrigues, a respeito de uma matéria que ele publicou em sua coluna no UOL:

P.S.: Relevem a falta de acentos. Ela provavelmente não os têm configurados em seu teclado...

"Prezado senhor,

Sendo brasileira (e ex-reporter) residente ha dois anos nos Estados Unidos, tento ainda manter vinculo com publicacoes brasileiras atraves da Internet, particularmente Universo Online.

Lendo as noticias de hoje, encontrei seu artigo "Promessa de Guerra deixa Bush e EUA sem saida". Embora concorde com a premissa da materia, admito que fiquei chocada ao ler o paragrafo abaixo:

'Tudo bem, tem os chatos dos patriotas obsessivos com suas bandeiras e velas para todos os lados.'

Seu comentario, alem de mostrar falta de respeito aos sentimentos de uma nacao em luto, mostra ainda mentalidade adolescente de achar que patriotismo e coisa de idiota e orgulho da bandeira also impensavel. No Brasil, me acostumei a este tipo de desdem pela patria que acompanha as trapalhadas politicas e economicas do pais. O que nao da ao senhor nem a ninguem o direito de zombar dos sentimentos sinceros de gente que se orgulha de ser americano. Queria eu, sendo brasileira, ver o nosso povo sofrido encher o peito, erguer a cabeca e dizer "amo o meu pais".

E preciso mais do que ironia e despeito para entender o que se passa na cabeca e no coracao desses milhoes de americanos que colocam suas bandeiras no carro, na casa, nas roupas. Entendo que este sentimento patriotico deve ser totalmente alienigena para o senhor, o que absolutamente nao lhe da o direito de chamar de obsessivo quem chora a perda de milhares de pessoas (brasileiros incluidos) e acende velas em uma homenagem as vitimas desta tragedia.

Obsessivo, na minha opiniao, e quem procura em paises mais desenvolvidos algo para criticar ou ridicularizar - e sempre nos piores momentos - na esperanca infantil de sentir-se melhor a respeito de seu proprio pais. Lamentavel.

Sinceramente,

Jade Walsh"
-


20:58 - Para que não pensem que este blog não é democrático, cedo espaço a uma defesa das religiões. Horácio, em resposta à minha resposta:

"Legal vc ter respondido minha questão. Só que sua resposta gerou em mim outras questões que gostaria de comentar:

Vc escreveu:"A natureza efêmera da vida humana, evidenciada nos últimos dias, suscita a busca pelo sobrenatural". - O meu ponto é: e se isso que vc classifica como "sobrenatural", seja [sic] apenas o natural não conhecido? Quantos "processos naturais" conhecemos hoje em dia, que há apenas um ou dois séculos atrás seriam considerados "sobrenaturais"? Um exemplo cabível é toda a parte da física que estuda ondas: ondas que transmitem sons e imagens para a TV; ondas que são emitidas pelo nosso próprio cérebro; os vários tipos de ondas e manipulações que podem ser encontradas e realizadas com a luz (ultra-violeta, infra-vermelho, laser), enfim, muitas coisas invisíveis aos nossos olhos, mas que estão aí, vivendo conosco, sendo pouco a pouco desvendadas pela ciência. Acredito que em breve já será possível provar cientificamente a existência da alma (ouvi dizer que alguns cientistas já provaram ou ao menos conseguiram algumas evidências sobre isso, mas desconheço a experiência e também a idoneidade dos mesmos).

Também gostaria de comentar outra parte do seu texto: "Esta é a visão do Cristianismo, por exemplo. Na outra, presente no Budismo ou no Kardecismo, em formas diferentes, a estada na terra na verdade é apenas mais um entre um sem número de passeios numa roda gigante" - Não se esqueça que o Kardecismo também é uma religião cristã (considera Jesus Cristo o Grande Mestre) e foi desenvolvida a partir de conceitos do budismo.

Eu, que acredito no conceito de alma e sua eternidade, não me sinto mais leve, como vc colocou ("Afinal, se a gente fizer cagada nessa vida, sempre pode consertar depois".). Não me sinto mais leve simplesmente pelo fato de outra lei da física: a da causa e efeito. Ou seja, as cagadas que eu vier a fazer, vão retornar para mim, então, as que eu puder evitar, melhor. Gosto muito deste princípio por que ele também funciona de maneira oposta: você já praticou algum trabalho voluntário ajudando alguém? Se já, vc sabe do que estou falando. Se não, pergunte para quem o faça. Provavelmente a resposta será parecida com: "Eu recebo mais do que dou." ou "...me faz um bem incrível".

Vários pontos negativos levantados por vc sobre as religiões são contundentes. Só que também há muitos aspectos positivos. Como a própria vida, a religião em si, também é dialética, uma vez que é constituída de forças contrárias que formam um todo. Uma espécie de Ying &Yang. Na minha opinião e crença, isto é fundamental para o nosso desenvolvimento. Como desejar o bem se eu não souber o que é mau? Como valorizar a paz e a harmonia se eu não souber o que é o sofrimento? Na minha opinião, devemos usar o "mau" [sic] para o desenvolvimento do "bem" (o que não quer dizer em hipótese alguma praticar ou enaltecer o "mau" [sic]).

Bom, por enquanto é isso. E também por enquanto, acho que estamos conseguindo destruir aquela máxima que diz: "religião não se discute".

Um abraço,

Horácio

Ps: em tempo, participo sim de um blog, é o Teoria da ½ Vez - www.teoria.blogspot.com - só que o meu nick não é Horácio."


Taí seu espaço, Horácio. Tenho comentários a fazer (Tréplica), mas vão ter que ficar para mais tarde... -


20:52 - Iniciando a série Slogans que gostaríamos de ver:

Cigarros:

Free. Pelo menos algum câncer a gente tem em comum.

Venha para o além-mundo de Marlboro

Cartões de Crédito:

Existem coisas que o dinheiro não compra. Para todas as outras existe calote.

American Express: Não perca sua casa sem ele. -


06:14 - A Cora se queixou da ausência de comentários nos blogs tupiniquins a respeito de um discurso do FHC em que ele teria se referido às diversas religiões do mundo e seus portadores. Bem, Cora... Vai ver ele passou por aqui e gostou da minha comparação entre as religiões e virii (plural de vírus). -

Quinta-feira, Setembro 20, 2001

22:47 - O Horácio também mencionou que eu era bem mais humorado quando ele começou a visitar o FP, por volta de um mês atrás. É verdade, Horácio. Tenho sido meio rabugento. Não só pela tragédia nos EUA, mas também por causa de certos problemas na vida pessoal do ser humano que me abriga... Prometo que vou dar um pé na bunda dele para fazê-lo acordar e ser mais positivo... -


22:28 - Horácio, que aparentemente não tem blog, me mandou a seguinte pergunta:

Daqui há alguns anos (esperamos que muitos) vc, assim como eu e todos nós, irá morrer. A minha pergunta é: Se nesse fatídico dia vc descobrir que estava errado, que o que morreu foi apenas seu corpo e não vc, que vc continua exatamente igual, com seus defeitos e qualidades, qual seria sua reação?

Horácio, eu ficaria contente pra caramba. Quando digo a alguém que não acredito em almas, espíritos, reincarnação e afins, não entendo porque acham que eu o faço por vontade própria, simples escolha. A idéia de vida após a morte é por deveras atraente para que alguém possa em sã consciência dizer que não gostaria que ela fosse verdadeira. Até mesmo eu, que não sou são, gostaria. Entretanto, não permito que os meus desejos e anseios pessoais turvem a minha visão do mundo. A natureza efêmera da vida humana, evidenciada nos últimos dias, suscita a busca pelo sobrenatural. Não nos basta ser um fruto de bilhões de anos de um processo evolutivo que nem um Buda saturado de ácido conseguiria imaginar. Não basta que deixemos nosso legado nas nossas obras de vida e nas gerações futuras que ajudamos a criar. Precisamos acreditar que alguma coisa continuará viva depois que o corpo morrer. Precisamos justificar a nossa existência. Precisamos nos fazer importantes no grande esquema das coisas insubstanciais. É aí que entram as almas, espíritos e afins. Utilizando a metáfora do medo da morte como sendo uma doença, o espírito é o placebo. Se acreditamos nele, nos sentimos mais aptos a perseverar num mundo cheio de injustiças. Mas quando o analisamos com a responsabilidade que o ceticismo nos outorga, ele se revela análogo à cápsula do remédio que na verdade não passa de farinha, e a doença, infelizmente, não tem cura (ainda).

Existem duas formas de além-vida. Numa, vivemos primeiro aqui, e quando morremos mudamos permanentemente para um outro condomínio bem menos sujo e barulhento (Céu), ou, se não nos comportarmos, para um só um pouco menos sujo e barulhento (Inferno). Esta é a visão do Cristianismo, por exemplo. Na outra, presente no Budismo ou no Kardecismo, em formas diferentes, a estada na terra na verdade é apenas mais um entre um sem número de passeios numa roda gigante. Ficamos percorrendo o mesmo percurso até a hora em que a gente se cansa e para de comprar ingresso (atinge o Nirvana ou alguma outra perfeição astral), e vai curtir um marasmo total até o fim dos tempos. Por mais insubstancial que a alma pareça (desculpe o trocadilho), ela tira um enorme peso das nossas costas. Afinal, se a gente fizer cagada nessa vida, sempre pode consertar depois.

Mas o peso que é retirado das nossas costas não deixa de existir. Apenas é transferido para as almas. Tenho certeza de que se elas existissem, ficariam extremamente descontentes e passariam a acreditar em "meta-almas", já que a existência delas, para elas, seria tão efêmera quanto a nossa, para nós. E as meta-almas acreditariam em "meta-meta-almas", e assim por diante. Portanto, ao invés de satisfazer o meu ego e gerar uma cadeia infitita de "Escravos-de-Jó", prefiro aprender a lidar com o peso eu mesmo. E garanto que se você tentar pra valer, vai perceber que ele nem é tão pesado assim quanto parece à primeira vista. -

Quarta-feira, Setembro 19, 2001

20:13 - Um outro aspecto que parece ter escapado à analise (pelo menos até agora):

Quando alguém menciona fanatismo religioso, logo vêm à mente os países do Oriente Médio e o Islamismo. Mas existe um país onde o fanatismo regilioso é tão grande, se não maior do que no Oriente Médio. E este país são os EUA. Lá, por exemplo, leis estaduais são votadas para impedir que se ensine a Teoria da Evolução nas escolas. Eu morei um ano e meio nos EUA, entre Orlando e Philadelphia. Neste período, tive contato com muitos americanos, a maioria deles protestantes. E ficou nítido como esta crença religiosa tem um papel fundamental no que os dominados costumam chamar de prepotência americana. Eles vivem com a certeza de que o Deus deles é o único, e que as outras pessoas, por mais liberdade que tenham para seguir suas próprias doutrinas, estão cegas, e não poderão se redimir enquanto não tiverem a mesma crença. A Religião oficial dos EUA ensina a eles todos desde pequenos que eles são melhores do que os outros, e o que os outros pensam não é importante. Portanto, da próxima vez que alguém mencionar o termo fanatismo religioso, e colocá-lo como uma das causas para atos como o que aconteceu no dia 11, é bom pensar também na barbicha do Tio Sam. -


19:40 - Engraçado(?) como existem empresas que mandam mensagens com um "re:" no título depois dizem no corpo do texto que a mensagem não é um spam. Se não fosse o fato de que você não as conhece e nunca mandou um e-mail para elas para que pudesse receber uma resposta, elas até teriam razão. Ah... E alguém aí ainda acredita que aqueles links com instruções para remoção das listas realmente funcionam? -


17:44 - O Nemo colocou um link para um texto do Richard Dawkins, que reproduzo aqui. O texto é condizente com a minha crítica à Religião, principalmente as derivadas de Abraão. Tenho lido muito do velho testamento (preciso conhecer o que condeno), e agora complementando com o "Asimov's Guide to the Bible", fica claro que o tempo todo o velho testamento é um relato de como uma minoria causou o genocídio de diversos povos para tentar conquistar a hegemonia do "Crescente Fértil", ou região banhada pelos rios Tigre e Eufrates. Todos que eram diferentes, seja etnica, religiosa ou politicamente eram seres inferiores que não mereciam sequer estar vivos. Este tipo de conduta, por mais que os religiosos que pregam o lado pacifista das religiões queiram ocultar, sempre manchou as páginas da nossa história com sangue de gente inocente.

Hoje, outras formas, mutações dessas crenças religiosas, avassalam o mundo. Pseudociências, como astrologia e numerologia, entre outras, trazem de volta os tempos de misticismos, preconceitos, irracionalidades que assombravam o mundo de nossos antepassados. Justamente numa época em que a ciência avançou a ponto de retirar o véu de muitos dos mistérios que sempre nos intrigaram, a humanidade corre de volta para baixo das asas do esoterismo. A verdade nem sempre é a que queremos ouvir, mas nem por isso deixa de ser verdade. Ao invés de nos refugiarmos em superstições, o melhor seria se contentar com nosso papel de coadjuvantes no esquema do Universo, e aos poucos, tentar mudar essa situação com bom senso, racionalidade, e, o mais importante, justiça para todos independente de credo ou cor. -

Terça-feira, Setembro 18, 2001

23:57 - Insólito: Velhinha morde pit bull. Dica da amiga desblogada Beth Anjo. Ou se você preferir a versão de um jornal local, leia When pit bulls attack, people may just bite back . -

Segunda-feira, Setembro 17, 2001

16:40 - Para quem curte quadrinhos, a Marvel Comics lançou o dotComics, um aplicativo em Shockwave no qual você pode ler as aventuras do seu herói predileto. Já existem mais de 60 edições disponíveis para download, com destaques para as novas séries Ultimate Spiderman e Ultimate X-Men. O programinha, com versões para PC e Mac, também fornece algums recursos interessantes, como zoom do quadro que você estiver lendo. Tem um único inconveniente: enquanto você lê, é presenteado com anùncios eletrônicos. Ainda assim, um preço justo pelo conteúdo oferecido. Aproveite enquanto é gratuito. Dica do amigo desblogado K. -


04:42 - Aliás, Mav, antes que você pense que só discordo de você, me diverti bastante com o "japanese engrish"... -


04:21 - O Mav não captou a essência da minha comparação. Algo plausível, já que tentei não ser muito prolíxo (ou seja, chato), esperando por uma certa cumplicidade na hora de compreender meu raciocínio. Eu seu post inicial, Mav colocou o blog no mesmo grupo de outras formas de comunicação mais antigas, e ao fazer isso não considerou-o um novo fenômeno em termos de capacidade de publicar informações. Meu intuito foi tão somente fazer a mesma comparação e notar diferenças que o Mav preferiu ignorar. Ele viu falhas na minha tabela, as quais esclareco agora:

Investimento inicial: Obviamente, existe um investimento inicial em termos absolutos. Computadores não são encontrados em caixas de cereal e obviamente existe um custo para operar uma conexão com a Internet. Entretanto, isto é verdade para todos os elementos com exceção do rádio amador e do diálogo. Neste caso, estes últimos levam vantagem. Entretanto, como em toda pesquisa, faz-se necessário compreender um universo de pesquisa arbitrário. O meu universo de pesquisa é obviamente o indivíduo de classe média e que possui um grau mínimo de instrução, e que teria como se beneficiar de um blog. Afinal, estamos comparando a vantagem deste em relação a outros meios de publicação, e o público partiria dos que já poderiam se beneficiar dos outros métodos. Portanto, considerei um computador, uma linha telefônica e uma conexão com a internet elementos fora da equação, mesmo porque o uso destes equipamentos não está exclusivamente ligado à manutenção de um blog. Obviamente ninguém irá comprar um computador apenas para montar um blog. Só o fará a partir do momento em que já tenha um por algum outro motivo. No caso do rádio amador existe a necessidade de adqüirir um rádio transmissor (e não qualquer receptor de rádio) , que por mais barato que possa ser, não creio que ficaria nos 15 reais. Quem tiver um pode me dizer. Além disso, obviamente não é um equipamento padrão nas casas de classe média, e portanto não pode ser considerado fora da equação, por ser necessário, e neste caso servir única e exclusivamente para a função especificada.
Outro ponto a enfatizar é que a tabela é uma comparação entre os métodos de publicação disponíveis, e não entre um método e nenhum método, que é o único possível se formos considerar os obstáculos impostos pelo Mav.

Gratuidade: Eu mencionei isso, mas o farei de novo. Só estão sendo computados neste caso os gastos diretos com o ato da publicação. Se assim não fosse, teria que considerar os gastos com a energia elétrica, ou mesmo os gastos com a alimentação necessária para manter um indivíduo funcionando a ponto de poder escrever num blog ou falar ao microfone de um rádio amador. Neste caso, apesar de existirem serviços pagos para o mesma tarefa, todos os serviços podem ser desenvolvidos de forma gratuita.

Facilidade: Para a utilização de um blog em sua característica mais importante, não é necessário saber uma linha que seja de html. Links ou imagens podem ser considerados supérfluos, já que não existem nas outras formas de publicação mencionadas. Para simplesmente escrever e publicar o conteúdo, nenhum conhecimento, ou se muito um conhecimento muito básico de html, e que depois pode ser aprimorado gradualmente, é necessário. Quanto a ser necessário o Inglês, existem serviços disponíveis em português.

Conclusão: Nas comparações, ou o blog está acessível a um número de pessoas exponencialmente maior do que os outros métodos de publicação, ou fornece um poder e versatilidade muito maiores. É claro que um blog não é a forma ideal de comunicação, e que sempre estaremos desenvolvendo novas formas, cada vez mais poderosas ou fáceis. Mas o blog fornece vantagens claras para que seja colocado em uma categoria diferente dos outros. Lembre que o ponto discutido é a capacidade de publicar informações. Se tivermos que incluir a comunidade rural de Quiprocó do Bonfim, qualquer conversa que involva o termo "publicação", se não mesmo o próprio termo "conversa", torna-se fora de propósito. Portanto, a tabela é sim válida, e enquanto o blog não é universal, é muito mais democrático do que os outros, indiscutivelmente. -

Domingo, Setembro 16, 2001

06:08 - Ei, João, obrigado pelo link e pela referência ao que você diz ser um blog interessante. O seu também é bacana. -

Sexta-feira, Setembro 14, 2001

23:36 - O Mav colocou uma opinião um tanto polêmica no seu blog:

"Aviso aos deslumbrados que repetem um novo mito, o de que que os blogs são pioneiros na democratização da informação. Não são, não. Antes deles havia os chats, e antes dos chats havia os BBS, e antes dos BBS havia a Usenet, e antes da Usenet havia o radioamadorismo, e antes do radioamadorismo havia (para encurtar uma série longa) os grupos de discussão ao vivo na praça em Atenas, onde Sócrates provocava e despertava a inteligência adormecida nas pessoas por meio de uma técnica que se supunha pioneira: o diálogo."

Como eu fui enquadrado na classe de "deslumbrados", me vi no direito de listar algumas diferenças entre blogs e os outros métodos de comunicação mencionados pelo nosso amigo. A tabela a seguir compara as diversas mídias e métodos entre si, de acordo com um critério desenvolvido após muitos minutos de laboriosa pesquisa (legenda e análise na seqüência):

MÍDIA: INV GRA FÁC MAS PER CON
BLOGS NÃO SIM SIM SIM SIM SIM
CHAT NÃO SIM SIM NÃO NÃO SIM
BBS NÃO SIM NÃO NÃO NÃO NÃO
USENET NÃO SIM NÃO SIM NÃO NÃO
RÁDIO SIM SIM NÃO NÃO NÃO SIM
DIÁLOGO NÃO SIM SIM NÃO NÃO SIM

Legenda:

INV: Investimento inicial necessário (equipamentos comuns já encontrados normalmente em uma casa não são considerados)
GRA: Se é gratuito, ou não (não involve os métodos de acesso à mídia, apenas o ato de publicar)
FÁC: Se é de fácil utilização (i.e. Não é preciso ser NERD ou ter conhecimentos de programação ou informática ou eletrônica para a sua utilização)
MAS: Se tem acesso ao público em geral (massa), ou pelo menos centenas de milhares de usuários.
PER: Se é um método de publicação permanente, que pode permanecer a disposição indefinidamente.
CON: Controle. Ou seja, se o indivíduo dono da informação tem total controle sobre o conteúdo, se não há nenhuma censura (com exceção de ações ilegais).

Análise:

O único método de publicação a gozar de todos os benefícios é o blog. A tabela torna claro que o blog representa uma quebra de paradigma ao permitir que qualquer pessoa publique qualquer informação, sem qualquer investimento inicial, sem pagar nada pela publicação, e onde essa informação poderá ser acessada por milhões de pessoas em caráter permanente. Portanto podem continuar se deslumbrando. -


20:53 - E, para os infelizes donos de blogs que parecem demonstrar contentamento em ver os americanos sofrerem... Mesmo que vocês tivessem razão, que os americanos merecessem esse fim... O que dizer das dezenas de brasileiros que podem também ter morrido nesta tragédia? -


18:56 - Sabe... Essa história de doação no site da Amazon, de todas as campanhas na internet e tal... São todas muito louváveis... Mas por que até agora a Amazon não tinha feito nenhuma campanha "Acabe com a fome na Somália", ou "Ajude as vítimas de Kosovo", por exemplo? -


17:54 - Se os atentados acontecessem daqui a 5 anos, ia ter empresa oferecendo a clonagem dos entes queridos que faleceram no WTC. -


14:02 - Deixando desastres de lado por enquanto, faz algum tempo que não recomendo nenhum grupo musical. Hoje estou ouvindo Ayreon. Mais uma empreitada psicodélica heavymetal do multi-instrumentista holandês Arjen Anthony Lucassen do que uma banda de rock no sentido tradicional, Ayreon costuma reunir um sem número de participações de vários expoentes do mundo heavy-metal. Praticamente todos os trabalhos de Arjen são épicos, quase opera rocks, onde cada personagem é interpretado por um vocalista diferente. No CD duplo de 1998, Into The Electric Castle, somos brindados com a presença de Fish, ex-vocalista do Marillion e a vocalista do The Gathering, Anneke van Giersbergen, entre outros, num épico onde 8 personagens de diversas épocas diferentes se encontram misteriosamente em um mundo paralelo de sonhos e tentam encontrar o caminho de casa, a la Caverna Do Dragão. O estilo, que foge de qualquer classificação mais estrita, é algo como Jethro Tull encontra Pink Floyd e vão compor progressive metal. -


13:39 - Não sei se já foi divulgado, mas como não vi por aí e isso pode interessar blogueiros em geral, o BlogDex agora tem uma função search, onde você pode pesquisar uma URL e descobrir quantos links existem para fora dela e quantos links apontam para ela. Uma ótima maneira de descobrir quantos blogs possuem links para você. Para statistic freaks. -

Quinta-feira, Setembro 13, 2001

21:44 - O Rafa acaba de me dizer que o Jornal Nacional de hoje mostrou uma entrevista com a Laurie Mylroie. Isso significa que os caras me furaram por meia hora... Já não se faz mais notícia fresca como antigamente... -


21:30 - Xi. Apenas uma das torres tinha seguro. Bad... Too bad. -


21:27 - Aliás, já em Fevereiro deste ano, ela dizia que Saddam poderia causar mais estragos nos EUA, e que ele, e não Bin Laden, tinha sido o responsável pelo primeiro atentado ao WTC em 93. E que agora, os dois podem ter unido forças para terminar o serviço que Saddam não conseguiu fazer em 93. Sinistro. -


21:19 - Laurie Mylroie, uma especialista em terrorismo que vem estudando os atos de Saddam Hussein há anos afirma: "Existe um país por trás dos atentados... A Guerra do Golfo ainda não acabou... Saddam acha que tem todo o direito de se vingar...". Os argumentos são convincentes. Se essa hipótese se demonstrar verdadeira, então uma guerra se tornará inevitável. Não uma Terceira Guerra Mundial, como muitos temem, mas uma guerra que provavelmente não irá acabar antes que o ditador se junte às vítimas dos atentados ao WTC. -

Quarta-feira, Setembro 12, 2001

06:15 - Dizem por aí que o povo brasileiro é maravilhoso, que governo é que estraga.

Também dizem por aí que o povo americano é uma merda, que o governo é que estraga.

Hummmm.... -


04:04 - O Dia Em Que A Terra Parou.

Na televisão, um confuso Bush espalha sentimentos de vingança e diz que os EUA não serão derrotados pelo terrorismo. Mal percebe o pobre governante que, não importa quantos árabes morram com o desenrolar dos acontecimentos de hoje, os EUA já foram derrotados. A busca por culpados, necessária, abranda um pouco o próprio sentimento de culpa gerado por uma política de isolacionismo e de inércia frente a importantes situações internacionais. Mais uma vez, não importa quantos culpados se ache, Bush terá às suas costas a sombra de ter sido pelo menos parcialmente responsável pela morte de dezenas de milhares de pessoas. Seu próprio povo.

E aumentam as baixas causadas diretamente por credos religiosos. Hoje, Religião mata mais que AIDS, mata mais que o Câncer. O fanatismo religioso atua como agente transmissor de memes, vírus metalingüísticos extremamente poderosos, que em sua propagação, avidamente tentam destruir os memes inimigos. Católicos e protestantes, judeus e muçulmanos, não importa. O fato é que atentados como o de hoje, em que dezenas de terroristas encontram a morte como heróis, certos da honra almejada, só são possíveis quando há o suporte da crença religiosa que glorifica o além-vida. Mesmo que no fundo existam componentes políticos que não podem ser desprezados, a religião é que fornece a amálgama para que se espalhe a ignorância, o segregacionismo, o desprezo pelo diferente.

Mesmo que seja condenável uma nação acobertar indivíduos capazes de planejar os atos hediondos de hoje, em nome da justiça muitos outros inocentes perecerão. Não importa se são magnatas de Wall Street ou mendigos nas favelas do Afeganistão, o peso da perda de vidas humanas é o mesmo. Só não se percebe que "Justiça" é um termo arbitrário, inventado pelos homens para aplacar a dor e a ira dos que vivem o duro papel de vítimas da crueldade, seja humana ou não. O mundo não é justo, a natureza não é justa, e em sua tentativa de mudar isso, o homem continua matando a si mesmo. Justiça não trará os mortos de volta. Nem os de hoje, nem os de amanhã.

Ditos "especialistas" em construção e destruição opinam sobre o ocorrido, em busca dos seus 15 minutos de fama. Dizem que explosivos devem ter sido colocados nas bases dos prédios, que o impacto dos aviões apenas não seria suficiente para derrubar as torres. Talvez ofuscados pelo brilho das câmeras, não percebem o óbvio que os vídeos mostraram: as torres caíram de cima para baixo. O calor de milhares de graus gerado pelos incêndios enfraqueceu as vigas de sustentação, de aço, que cederam ante o peso dos andares acima dos impactos, e a partir daí foi a lei da inércia esmagando tudo caminho abaixo.

Videntes ouvintes e falantes se pronunciam. Afirmam que o ocorrido estava escrito nas tramas celestiais, nas tramas astrais, nas tramas da tapeçaria cósmica, ou nas tramas de seja lá o que for que esteja na moda. Mas a verdade é que antes da manhã de hoje, 11 de setembro de 2001, ninguém em sã consciência, com exceção dos poucos que concatenaram os atentados e os que os protegiam, imaginaria que as duas torres poderiam vir a baixo num irônico ataque impulsionado pelas próprias turbinas de aeronaves americanas. O que parece óbvio depois de ocorrido, era impensável minutos antes, mesmo para os que festejavam nas ruas de Beirute.

Atribui-se a versos obscuros de Nostradamus a profetização dos atentados. Encontram-se coincidências onde se quer encontrá-las. Para a maioria, é fácil acreditar que um obscuro charlatão medieval tivesse o poder de desvendar os mistérios do futuro. Seus versos, estudados por milhares de pessoas em todo o mundo, aguardam apenas pela devida catástrofe para se propagarem. Têm o tempo a seu favor. Entretanto, qualquer outra explicação seria mais plausível. Para os que não se contentam com o acaso, existe até mesmo a possibilidade de que os próprios terroristas já tivessem lido os versos, e obtido neles inspiração para os atentados. O que faria de Nostradamus cúmplice póstumo. Parece insólita a sugestão, mas é mais provável que a primeira. Ainda mais quando um dos possíveis terroristas freqüentava uma lista de discussão a respeito das tais profecias.

Fala-se muito em fim do mundo, em Terceira Guerra Mundial. É fato que a retaliação, neste momento, parece certa, e é possível que algum país do Oriente Médio seja expurgado do mapa nos próximos dias. Que os prejuízos econômicos, na casa dos trilhões, serão imensos. Que as incertezas políticas serão exacerbadas, e que o papel dos EUA e de outras potências do cenário mundial será reescrito. Mas os dias vão passar, as economias vão se recuperar, as relações internacionais vão se adaptar e, no devido tempo, um novo WTC se erguerá sob as cinzas do antigo, e até mesmo as vítimas serão esquecidas. O mundo poderá até ser diferente, mas amanhã a Terra voltará a girar, e assim o fará até ser engolida pelo nosso sol, em alguns bilhões de anos, salvo imprevisível catástrofe universal. Isso, aliás, Nostradamus não previu. -

Terça-feira, Setembro 11, 2001

15:28 - Um página de silêncio pelos amigos americanos que morreram hoje,























































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Segunda-feira, Setembro 10, 2001

19:37 - Como sempre, o Marcus colocou um ótimo post a respeito da paranóia contra pirataria que invade as grandes corporações. Longe de fazer apologia à pirataria, ainda digo que muitas destas empresas que hoje tentam nos cercear de todos os lados foram as que mais se beneficiaram com as cópias piratas. Ou alguém acha que a Microsoft estaria na posição que está agora se o Windows não fosse o sistema operacional mais pirateado do planeta? Chego até a imaginar que ela tenha encorajado a pirataria, transformando o seu sistema em um "parasita" que mais tarde tomaria conta dos hospedeiros.

Mas agora que estas empresas atingiram um patamar em que a pirataria mais as prejudica do que auxilia, começa a guerrilha. As empresas criam novas formas de proteção de um lado, e os hackers quebram essas proteções do outro. Esse ciclo nunca terá fim, porque dos dois lados estão seres humanos, com suas competências e limitações, e o que um cria de um lado, haverá alguém que destrua do outro. Ao contrário, quanto maior a febre pela proteção, maior o empenho dos hackers. O Windows XP mal saiu, e já existem cracks para ele. Talvez todo o dinheiro empregado em vão com sistemas de proteção devesse ser empregado em tornar o sistema mais estável, fácil de usar e livre de bugs. Tenho certeza que as vendas subiriam. No caso dos CDs, só preços mais justos e melhores sistemas de distribuição podem vir a diminuir significativamente a pirataria. -


18:31 - Ainda estou lendo o Asimov's Guide to the Bible. Estou lá pela página 400, onde os judeus acabam de retornar do exílio na Babilônia. E com o retorno dos judeus à Jerusalém, foi reforçada a xenofobia, reprimindo-se ainda mais os relacionamentos interraciais, como forma de manter o judaísmo puro. Este foi o período no qual a maior parte dos escritos do Velho Testamento foram colocados em sua forma final. Ao contrário do que muitos pensam, apesar de relatar supostos acontecimentos desde 4 mil anos antes de Cristo, os livros do Velho Testamento foram escritos pelos sacerdotes judeus no período entre 600 e 400 antes de Cristo, juntando diversos mitos e lendas importantes na época com um pouco de veracidade histórica, tudo exacerbado com muito nacionalismo.

Neste mesmo período foi escrita uma história que não deve ser verídica, mas que carrega uma das primeiras críticas ao segregacioninsmo. Esta história é o Livro de Ruth, que também faz parte do Velho Testamento. Nela, Ruth, ao ver sua mãe adotiva passar por diversas dificuldades, nunca deixa de prestar-lhe apoio, e torna-se símbolo de boa conduta, de caráter, e é sempre mencionada pelos que usam a Bíblia como guia moral. Só que Ruth é quase sempre retratada como uma maravilhosa loira de olhos claros. Em nossa sociedade atual, este não é um biotipo que sofreria segregacionismo. Ruth era uma moabita. Os moabitas estavam entre os maiores adversários dos judeus, tanto política quanto religiosamente, e representavam tudo o que era ruim aos olhos dos mesmos. Para que possamos hoje compreender verdadeiramente a moral contida no Livro de Ruth, talvez o melhor retrato desta seria o de uma mulher negra e pobre, que passa por inúmeras provações até conseguir vencer na vida e ajudar sua família. Neste formato, o Livro de Ruth continua válido até hoje, já que o segregacioninsmo está longe de acabar em suas várias formas. Sobra a pergunta: Se o Livro de Ruth coloca um pensamento contrário ao dos patriarcas do judaísmo, porque foi incuído no Velho testamento? Acontece que os escritores da bíblia não viviam no limbo. Como o livro de Ruth se tornou extremamente popular entre o povo, eles preferiram adotá-lo do que tentar difamá-lo, o que seria muito difícil. Isso acontece com diversos trechos da Bíblia, e é umas das principais razões dos inúmeros conflitos e incongruências contidas no corpo da obra literária mais importante de todos os tempos. -


06:04 - Parece que existe uma discussão velada a respeito de se colocar ou não links para outros blogs em nossas páginas. O Hernani defende que uma página sem links é morta, e tece explicações do porquê de cada link em sua página. Concordo com ele em parte. Acho válida a utilização de links, desde que com critério. Os links devem existir, mas seu uso indiscriminado apenas confunde. Ninguém hoje tem tempo de ler tudo o que existe na rede. Precisa utilizar filtros, sejam eles grandes portais, sites de busca, ou blogs. Quando eu visito um blog, é porque me interesso pelo que a pessoa escreve (e não necessariamente porque gosto...), e utilizo o seu blog como um filtro: "Se fulano pensa como eu nesse assunto e coloca um link em sua página, é pertinente supor que o link também teria algum interesse para mim". Se os blogs começam a se encher de links com material que não seja compatível com o seu próprio conteúdo, perdem a função de filtros. Essa opção, obviamente, parte do dono do blog. Listar permanentemente outros blogs apenas porque fazem parte de um círculo de amizades, ou porque são muito visitados, para fazer média, isso eu não faço. Coloco links, sim, para blogs de amigos ou não, famosos ou não, quando encontro neles conteúdo que justifique, ao meu ver, uma referência, e que já não tenha sido divulgado de maneira adequada em outros tantos blogs. Ao mesmo tempo em que sinto-me lisonjeado pelos blogs que dispõem de um link para cá, deixo claro: não coloque um link para cá se você não achar que o conteúdo justifique esse ato.

Esta crítica obviamente deixa de lado sites que contenham listas com dezenas ou centenas de blogs. Estas listas têm utilidade pela sua abrangência indiscriminada, e acabam se tornando diretórios. -


04:28 - Vendo o primeiro anúncio da Apple quando do lançamento do MacIntosh, percebi com quem começou essa rivalidade entre Macs e PCs. O anúncio é inteligente, divertido, mas por isso mesmo perigoso, quando pratica o segregacionismo à flor do papel:

"Soon there will be just two kinds of people. Those who use computers. And those who use Apples."

Quem pode culpar os usuários de Mac de serem elitistas, quando a própria empresa lançou a campanha? Às vezes esse tipo de anúncio me faz ponderar: será que a única diferença entre a Microsoft e todas as outras empresas de software ou hardware (ou, pior, qualquer empresa) é que a Microsoft tem poder suficiente para se tornar perigosa?

P.S.: Créditos ao MarioAV pelo link. -

Quinta-feira, Setembro 06, 2001

21:00 - Mais um feriado chegando, e mais um feriado em que ficarei em casa trabalhando. Como eu disse, ser freelance tem suas vantagens... -


20:59 - Ao ler o post do Nemo sobre amigos invisíveis, me lembrei de certas atitudes hipócritas. Como por exemplo, dizer para as crianças que existe Papai Noel e Coelho da Páscoa, e depois que elas crescem, dizer que é mentira. Recriminar as crianças quando elas parecem estar brincando com os tais amigos invisíveis, mas depois dizer que conversa com Deus ou com o seu anjo da guarda como se isso fosse diferente. Por que Deus pode, mas Coelho da Páscoa ou Papai Noel não? O que determina que uma crença seja tratada como infantilidade, e outra como necessária? Cá entre nós, eu não vejo diferença. -


18:33 - Não deu, né Guga? Tudo bem, ano que vem tem mais. -

Quarta-feira, Setembro 05, 2001

03:39 - O Bernardo disse que a banda da Milla Jovovich, Plastic Has Memory, é uma merda. Bem, eu não escutei, não posso opinar. Mas passeando pelo site da atriz/modelo/cantora, descobri outro trabalho mais antigo, um CD solo de 1994, intitulado The Divine Comedy. Devo dizer que me surpreendi. A garota manda muito bem. Quase toda "unplugged", com influências de Kate Bush, Tori Amos, Sarah McLachlan e Loreena McKennitt, a obra é original, e traz um pouco do folclore da Ucrânia (É, a Milla é ucraniana. Para não dizerem que o socialismo não criou nada de bom). E o melhor: todas as músicas estão disponíveis na íntegra para download no próprio site da Milla. Destaque para as músicas In a Glade, cantada em sua língua natal, e You Did it All Before:

"No I haven't seen the flowers yet
From the broken seeds I'd planted
But the ground is still too red
From the wickedness you did"


P.S.: Milla compôs as músicas quando tinha 16 anos, e lançou o CD com 18. Nada mal para um "rostinho bonito". -

Terça-feira, Setembro 04, 2001

23:26 - Sempre pensei, baseado no lugar comum, que a vitamina C fosse eficaz no combate às gripes e resfriados. Como tomo sempre que vejo a possibilidade de uma gripe aparecer, e não pego um resfriado sério há uns dois anos, costumava atribuir o resultado ao famoso ácido ascórbico. Entretanto, em conversa com o Rafa Spoladore recebo a notícia: dezenas de estudos conduzidos nas últimas décadas não conseguiram comprovar nenhuma ajuda significativa da vitamina no combate ou prevenção à gripe, ao contrário do que afirmava Linus Pauling, um dos maiores químicos do século, e ganhador de dois prêmios Nobel. E o site onde encontrei as informações conclusivas foi o QuackWatch. Lá são desmistificados não apenas o mito da vitamina C, como também charlatanices como a homeopatia e a acupuntura, e destrinchados controversos assuntos como alimentação vegetariana versus onívora, tema de um post de alguns dias atrás. Com relação à vitamina C... Talvez seja apenas efeito placebo, mas vou continuar tomando, já que mal não faz (pelo menos até prova em contrário...). -


00:35 - Se você quiser suscitar a minha ira, aqui vai uma dica infalível: utilize o termo "recentes pesquisas" em qualquer forma de argumentação verbal ou escrita. E saia correndo. -


00:08 - Uma das maiores promessas do mercado editorial quando eu tinha uns 16 anos era a revista Superinteressante. Mais de dez anos depois, uma das piores decepções que já tive com o mercado editorial é a revista Superinteressante. Hoje li duas matérias publicadas online. Uma a respeito do "Efeito Placebo" e outra à respeito da "Teoria da Evolução". Infelizmente, duas matérias que poderiam ser muito boas acabam caindo para o lado sensacionalista. É nítido o despreparo científico do corpo de reportagem. Nas duas matérias eles parecem tomar um partido logo de cara e depois vão tecendo os argumentos e enumerando os fatos que batem com as crenças dos repórteres. Infelizmente não cabe no post uma análise detalhada das matérias, mas minha indignação foi grande demais para deixar calar. -

Segunda-feira, Setembro 03, 2001

15:31 - Muito engraçado esse pessoal que se meteu a chamar de hai-kais os tais posts de três linhas que escrevem. Quer dizer que se eu juntar qualquer besteira e organizar em duas estrofes de quatro versos e duas de três eu escrevo um soneto? -


13:17 - Vi no Jornal da Globo de ontem à noite, meio de passagem, que estão sendo aprovadas leis no Rio de Janeiro e em Brasília para garantir que metade das vagas das universidades públicas sejam reservadas para alunos que tenham freqüentado exclusivamente as instituições de ensino público. Taí mais um exemplo quixotesco da competência dos legisladores tupiniquins. Ao invés de melhorar a qualidade do ensino médio no país, preferem baixar o nível do ensino superior. Fácil. Não sei porque eu não pensei nisso antes. Nessa mesma linha, já que o objetivo é garantir direitos iguais para pobres e ricos, faço uma outra sugestão: que metade das vagas nas câmaras de vereadores e deputados e no senado sejam reservadas para candidatos que não tenham uma fortuna para gastar durante a campanha, nem o patrocínio de empresas com objetivos excusos. Ao contrário da primeira medida, tenho certeza de que essa irá elevar o nível das câmaras... -

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2001, A Space Odissey, by Arthur Clarke

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