Estranhamento ao Estrangeirismo
O assunto em pauta é o Projeto
de Lei para "proteger" a língua portuguesa
dos estrangeirismos. Concordo que em muitas oportunidades
existe o uso de termos estrangeiros sem necessidade.
Mas vejo demaziado zêlo à lingua em certos
deputados que deveriam estar mais preocupados não
com o fato de alguém usar "delivery"
no lugar de "entrega em domicílio",
mas com o fato de muitos sequer saberem o que é
uma pizza.
Creio que a popularização
de um termo vem em grande parte de sua facilidade de
uso (ou melhor adequação a uma situação
do que o(s) vocábulo(s) nativo(s)....), mais
do que do bombardeio efetivado pelos meios de comunicação
em massa. Trata-se apenas de decidir onde traçar
a linha divisória. Afinal, palavras estrangeiras
que hoje são consagradas (como abajur e futebol,
por exemplo), não o eram quando começaram
a ser utilizadas. Será que teremos que deixar
de usar essas palavras e começar a usar apenas
lucivelo ou ludopédio? Não
estariam nossos representantes no congresso se esquecendo
de que a língua está sempre sofrendo um
processo de mutação? Afinal, se "delivery"
é uma expressão muito mais curta e que
transmite, uma vez compreendido o seu significado, o
sentido de forma mais adequada do que "entrega
em domicílio" (se formos puristas, quem
entrega em domicílios não entrega em escritórios...),
por que não utilizá-lo? Cito um, mas obviamente
extendo a minha posição a muitos outros
termos hoje em uso.
Reconheço a importância da
língua "pátria", mas no mundo
cada vez menor em que vivemos, sou pela erradicação
final de todas as barreiras - línguas incluídas
- e, na verdade, não creio que o processo possa
ser evitado como querem alguns deputados. Como já
me contou o professor de português Cláudio
Moreno, tanto Mussoline quanto a direita francesa
de Le Pen já tentaram fazer o mesmo, sem muito
sucesso. É assim que começa. Primeiro,
querem controlar o que podemos ou não escrever.
Depois, vão querer controlar o que podemos ou
não podemos pensar.
Felizmente, ainda podemos usar as palavras
que bem entendermos e quando bem entendermos. Se algum
dia não pudermos mais, aí sim morre o
nosso pensamento, e com ele, nossa língua.
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