Imagens na fumaça
Irritante esta história das tais
caras de demônios que teriam aparecido na fumaça
do WTC. Quem divulga essa história como se fosse
séria não merece o menor respeito. E quem
acredita, não conhece nada de como o nosso cérebro
funciona.
Quando olhamos para uma cadeira, por exemplo,
não reconhecemos uma cadeira logo de cara. O
processo é muito rápido, praticamente
imperceptível, mas existe um pequeno espaço
de tempo em que o nosso cérebro compara a imagem
recebida pela nossa retina com um sem número
de outras imagens, e descobre que o que estamos olhando
é algo que chamamos de "cadeira". Logo
em seguida, nosso cérebro encontra em seu enorme
banco de dados o significado do termo "cadeira",
e só então percebemos para que é
que aquilo serve de verdade, e nos sentamos nela, se
quisermos. É assim com todos os objetos que vemos
no dia-a-dia. Quando encontramos um objeto que nunca
vimos antes na vida, não temos a menor idéia
da sua utilidade, até que armazenemos mais iformações
a respeito na mesma ou em outras oportunidades, até
associarmos um significado à forma. Precisamos
associar um idéia à imagem.
Muitas vezes o novo objeto é semelhante
a outros que conhecemos a ponto de desenvolvermos com
uma certa rapidez uma noção da sua utilidade.
Outros são tão estranhos que nos deixam
completamente sem pistas até que alguém
nos explique. O que importa é que o nosso cérebro
está o tempo todo comparando as coisas que vemos
com as coisas que temos armazenadas em nosso banco de
memórias. Quando observamos um objeto amorfo,
como uma nuvem de fumaça, ou uma formação
rochosa, tentamos enquadrá-lo em nossa visão
do mundo. Associamos a ele um objeto do cotidiano que
seja parecido o suficiente. Por isso vemos seios em
montanhas, animais nas nuvens, faces demoníacas
na fumaça.
Dentre todos estas imagens, a que mais
facilmente conseguimos associar com objetos amorfos
é o rosto humano. Por quê? Muito simples.
É muito importante para nós aprendermos
a reconhecer desde que nascemos, em primeiro lugar,
rostos humanos, e em segundo lugar, nossos pais. Isso
é uma simples questão de sobrevivência.
Temos desde tenra idade armazenados em nosso cérebro
todas as nuances e variações que compôem
a imagem de um rosto. É muito fácil identificarmos
alguns deles em formas amorfas. A nossa imaginação
faz o resto. A partir do momento que reconhecermos apenas
um, ou dois, elementos de um rosto, imaginaremos o restante
para completar o cenário, ao invés de
ficar com uma imagem amorfa. Por isso, o que deveríamos
achar estranho não é o fato de enxergarmos
a cara do Dêmo na fumaça do WTC. O que
deveríamos achar estranho é olharmos para
a fumaça e não vermos imagem nenhuma.
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