Crenças que devemos evitar - Parte III

Existe algum propósito na existência do Universo.

Esta crença é muito ligada à primeira da lista. Afinal, partindo-se do pressuposto que existem deuses e demônios para todos os lados se metendo em todos os lugares e assuntos, fica difícil imaginar que eles fazem isso tudo por nada. Os Persas, com o seu Zoroastrismo, chegaram a elaborar um intrincado conflito entre as forças do bem e do mal, com Ahura Mazda liderando as forças da luz e Ahriman liderando as forças das trevas (outro ponto interessante, que fica para discussão futura... Porque escuro é sempre ruim, e claro é sempre bom?). A batalha era tão acirrada que os esforços de um único indivíduo poderiam influenciar no resultado final. Antes de serem exilados na Babilônia, os judeus não possuiam o conceito de bem e mal. Tudo era Yahvéh, bom ou mal. Mas sob influência do Zoroastrismo o judaísmo acabou adotando a dicotomia do bem contra o mal, Deus contra o Diabo. Só que na sua insegurança, os judeus não deixaram dúvidas com relação a quem iria vencer no final. Ou seja, tiraram toda a emoção da coisa.

Por mais que essas histórias sejam interessantes, não é necessário dizer que deixam muito a desejar em seu caráter científico. As leis mais básicas da ciência não só servem de argumento contra essa tal batalha cósmica, como contra qualquer possibilidade de haver qualquer propósito no Universo. As Leis da Termodinâmica, ou da Teoria Quântica, por exemplo, assumem que tudo acontece através dos movimentos aleatórios de partículas, e dos choques e transferências de energias que decorrem destes. Mesmo que estatisticamente possamos prever o comportamento de um grupo de partículas num período longo de tempo, a partícula individual continua imprevisível, incógnita.

Esta forma de pensar provavelmente é a menos querida entre os "não-cientistas". Afinal, ela torna tudo sem sentido... Ou será que não?

Porque se faz necessário que todo o Universo tenha um propósito? Afinal, para mim um livro escrito em árabe pode não ter nenhum significado, fato do qual um árabe discordaria. Eu não entendo o que está escrito, mas ele entende. E mais... Por que não podemos nos contentar em organizar nossas vidas de forma a ter algum sentido para nós e para aqueles que amamos? Afinal, se a vida fizesse sentido para cada pessoa em particular, então todo o Universo faria sentido, pelo menos para ela.

É justamente a busca por um propósito que torna as nossas vidas sem sentido. Afinal, se formos apenas peões no esquema das coisas, que propósito seria esse? Prefiro ser livre sem sentido do que mais um tocando harpa no céu. Apenas os que vivem uma existência insípida podem encontrar consolo em um Universo planejado, como que para compensar a sua própria falta de personalidade.

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