Doenças do trânsito

1 - Complexo de Rubinhus. Tem aquele motorista que faz questão de ignorar completamente a faixa de pedestres, vai com o carro até quase o meio do cruzamento, e quando finalmente abre o farol, sai devagarzinho, devagarzinho, segurando todo mundo que está atrás...

2 - Incontinência Telefônica Crônica. O caso mais grave é o motorista que não consegue resistir ao toque do telefone celular, enquanto faz uma curva fechada em uma pista estreita de duas mãos. Felizmente, nesses casos, a doença tem um alto índice de fatalidade. É a seleção natural em plena atividade.

P.S.: Essa doença não tem cura, mas existe um tratamento que alivia bastante os sintomas, aumentando a sobrevida do paciente. Chama-se VIVA-VOZ.

3 - Buzinite Compulsiva. Mal abre o farol, você ouve aquela seqüência de buzinadas curtas intermitentes. Ou então, ao parar para desembarcar sua tia-avó doente em frente ao hospital, você começa a ouvir aquele som característico, que começa baixo e vai aumentando conforme o carro do tal motorista vai se aproximando do seu veículo temporariamente imóvel. Antes de perder a calma, lembre-se de que você está presenciando um caso dessa doença que parece cada vez mais comum... A vítima sucumbe a um espasmo involuntário dos músculos dos membros superiores na direção do centro do volante. Ainda se pesquisa a cura, apesar de que às vezes um Valium ajuda.

P.S.: Aparentemente, essa doença faz parte de uma síndrome, que, entre outras, também causa a faroaltite aguda.

4 - Fantasmagoria Psicossomática. Este mal afeta a psique de vários motoristas pelas ruas de São Paulo, e faz com que o indivíduo associe a ativação do pisca-alerta com o ato de se tornar insubstancial. O paciente acredita fielmente que, não importa o quão estreita seja a rua em que ele tenha parado em fila dupla, os outros vão sempre conseguir passar. Como em outros casos de síndromes sérias, esta doença também está comumente acompanhada de esquizofrenia, já que quando os outros motoristas passam reclamando o paciente age como se não fosse com ele. Ainda não se conhece cura, apesar de que alguns indíviduos que tiveram seus veículos prontamente esmagados por um caminhão Scania que passava no local apresentaram uma queda substancial na incidência dos sintomas posteriormente ao ocorrido.

5 - Mal de Parking. Alguns dizem que o nome em inglês se deve ao fato deste mal ter origem nos EUA, e que chegou ao Brasil através dos primeiros carros importados, mas isso é apenas especulação. O certo é que esta doença causa uma atrofia na região do cérebro responsável pela coordenação motora na hora de estacionar. A vítima não consegue de jeito nenhum parar ambas as rodas a menos de um metro da calçada simultaneamente. Aparentemente, é uma doença hereditária, o que a torna, no momento, incurável.

6 - Hipertrofia Veicular Imaginária. Se você encontrar à sua frente um motorista que pare 10 metros antes do semáforo, que ande com o carro bem no meio de uma rua com duas pistas, que comece a frear para fazer uma curva antes de chegar à metade do quarteirão, isso significa que você terá encontrado mais uma vítima deste mal cada vez mais comum. A pessoa acometida desta moléstia perde totalmente a sua noção de profundidade e lugar no espaço, e não importa quão pequeno seja o seu carro, ela sempre vai achar que está guiando um caminhão daqueles que transportam turbinas de hidrelétrica. Já se verificou que o problema não tem relação com a acuidade visual da vítima, mas é devido provavelmente uma atrofia do lobo acidental do cérebro que começa nas primeiras aulas de direção.

P.S.: O encontro entre uma vítima de Hipertrofia Veicular Imaginária e um doente de Fantasmagoria Psicossomática (4) pode vir ter conseqüências drásticas para quem estiver próximo. Recomenda-se cautela.


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