| Delicatessen Deus-Me-Livery
Estarei colocando aqui relatos a respeito da fantástica
culinária do mundo das pizzarias e lanchonetes Deus-me-livery.
1 - Suco Homeopático. Tendência
cada vez mais forte entre os grandes chefs deste nobre setor da
gastronomia paulistana, o suco homeopático é aquele
em que eles diluem a fruta em cada vez mais água, até
que não reste sequer uma molécula de fruta por mol
de solução. Como na medicina homeopática, os
chefs garantem que a água lembra do gosto da fruta que estava
lá. Ca entre nós, eu tenho minhas dúvidas.
Ou talvez a minha memória é que não seja tão
boa.
2 - Pastel Asa-Delta. Essa iguaria da
culinária Deus-Me-Livery é a combinação
perfeita de uma massa fina, frita em banha de porco com pelo menos
três dias de uso (Óleo de girassol ou outras gorduras
poli-insaturadas não servem...), recheada com uma inigualável
e deliciosa corrente de ar quente. Muito apreciada por praticantes
de esportes radicais, este requintado quitute às vezes contém
uma pequena quantidade de material orgânico de origem não-identificável,
em homenagem aos grandes esportistas que acabaram se esborrachando
na prática do esporte que emprestou o nome ao pastel. Acompanhamento
perfeito para uma cartela de Engoves.
3 - Salada Microbiótica. Este
prato foi desenvolvido por dissidentes da famosa doutrina macrobiótica,
que acreditam na sabedoria da Natureza. Vocês já viram
algum coelho ou vaca lavando a salada antes de comer? Pois então.
Sendo animais exclusivamente herbívoros, e dependendo dos
vegetais para sobreviver, eles devem saber de alguma coisa que nós
ignoramos. Segundo estes argumentos, os chefs microbióticos
nunca lavam o pé de alface, ou o maço de agrião,
ou seja lá o que for que a salada inclua. Isto, segundo eles,
ainda torna a salada mais nutritiva, devido à presença
de proteína animal e fibras na forma de pedaços de
insetos e restos de tecido epitelial e cabelos. Entretanto, apesar
de todas as vantagens apregoadas pelos seguidores desses preceitos,
a salada microbiótica não é uma comida muito
light, já que, segundo a sabedoria popular, o que não
mata, engorda.
4 - Misto Quente Holográfico.
Nesta finíssima iguaria vendida em botequins de esquina selecionados,
o principal ingrediente, que dá nome ao sanduíche,
é o presuntado holográfico. Obtido através
do cuidadoso armazenamento do presuntado comum em depósitos
especiais com a temperatura controlada (40º C), quando pronta
esta lúdica peça proteica nos oferece o inigualável
prazer de visualizar as mais ricas obras abstratas em holografias
que abrangem todo o espectro luminoso. Para melhor aproveitar o
efeito, recomenda-se que se coma contra a luz. Mas isso não
é tudo... Pois o sanduíche recebe o toque final ao
se adicionar o delicioso queijo vulcanizado Alpargatas e uma cremosa
maionese (ou junhonese, julhonese, etc, dependendo do mês
em que a validade venceu). Quantos não foram os extasiados
clientes que perceberam depois de comer o sanduíche que os
hologramas eram apenas uma amostra das viagens psicodélicas
proporcionadas no dia seguinte.
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