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Crenças que devemos evitar - Parte II
A morte na verdade não existe
Tanto quanto sabemos, o homem é a única espécie
animal capaz de compreender a morte. Um indívíduo
sabe, com certeza, como nenhuma outra criatura, que um dia ele irá
inexoravelmente morrer.
Esse é um conhecimento estarrecedor, e não é
difícil ficar imaginando o quanto ele afeta o nosso comportamento,
de forma a torná-lo diferente de todos os outros animais.
Ou talvez o efeito nem seja tão grande, já que evitamos
a tanto custo falar a respeito. Quantos de nós vivemos nossas
vidas como se esperássemos estar aqui para sempre? Quase
todo mundo, creio eu.
Uma forma razoavelmente sensível de negar a morte é
visualizar uma família como sendo a verdadeira unidade, e
que enquanto a família viver seus componentes não
morrerão de verdade. O que não deixa de fazer um certo
sentido quando pensamos na bagagem genética passada de geração
em geração, mas isso não deixa muito espaço
para a preservação da consciência individual.
Nestas circunstâncias, obviamente, não ter filhos
(principalmente homens) era um desastre total. Tanto era assim que
mesmo a Bíblia contém leis que obrigavam os homens
a tomar as viúvas de seus irmãos que ainda não
tivessem filhos, para garantir a sua descendência.
O crime do bíblico Onan, o onanismo, não é
o que você deve estar pensando, e sim a sua recusa em desempenhar
este papel para o seu falecido irmão.
Existe uma outra forma de negar a morte, talvez mais popular e
com certeza mais perigosa. Praticamente toda sociedade que conhecemos
tem alguma forma de crença em uma existência "além
vida". Existe um lugar para o qual algum resíduo imaterial
do corpo humano pode ir depois da morte, mesmo que seja numa existência
pálida e tediosa num lugar como o "Hades" grego
ou o "Sheol" dos judeus. Com um pouco mais de imaginação,
o além vida pode se tornar ou um paraíso eterno, ou
um tormento eterno. Assim, a noção de imortalidade
pode ser ligada a um conceito de recompensa e punição.
Esse conceito foi muito propagado pela instituição
católica, por exemplo, por questões óbvias.
Enquanto a imensa maioria das pessoas na idade média viviam
na miséria, elas poderiam ter a certeza de que delas seria
o reino dos céus, onde elas então viveriam como deuses.
E os ricos? Ah... Esses iriam para o Inferno, e bem feito pra eles,
ha há.
Outra forma de cultuar a vida após a morte é colocá-la
aqui mesmo na Terra, através da crença em reencarnação.
Apesar dessa crença não ser parte de nenhuma grande
religião ocidental, ela é tão reconfortante
que qualquer mínima evidência a seu favor é
aceita de pronto. Nos EUA, por exemplo, um livro bobo entitulado
A Busca por Bridey Murphy foi lançado na década de
50, se tornou um best-seller e virou filme. Não é
preciso dizer que o livro não tem nada que preste.
Mas mesmo assim, toda a doutrina do espiritualismo, todos os médiuns
e ectoplasmas e fantasmas e poltergeists e um milhão de outras
coisas são todas baseadas nesta firme insistência da
humanidade em não admitir a existência da morte. Que
alguma coisa perdura, que a consciência individual é
imortal.
E o que é pior: é praticamente impossível
eliminar essa insistência. Não importa quantos médiuns
sejam comprovadamente expostos como charlatães, os crentes
cairão nos braços do próximo que aparecer.
Isso quando eles não se recusarem a aceitar as provas de
charlatanice e continuarem a acreditar na farsa, por mais ridícula
que seja.
Entretanto, difícil ou não, é necessário
que nos esforcemos para erradicar mais esta crença. Enquanto
ela traz conforto para o indivíduo, ela gera inúmeros
efeitos colaterais extremamente nocivos, como a acomodação
frente a dificuldades "terrenas", como a manutenção
de um enorme rebanho de fiéis a mercê de um punhado
de charlatães inescrupulosos, e como a exarcebação
da diferença entre os povos, pois assim como os Deuses de
um são os Demônios do outro, também o Céu
de um é o Inferno do outro. Precisamor enfatizar a força
do indivíduo, a nossa capacidade de suplantar obstáculos
sem a ajuda de nenhuma força sobrenatural, e, acima de tudo,
que esta nossa existência na Terra, por mais ínfima
que possa parecer, é a única coisa que temos, e se
deixarmos de lado os céus e infernos e nos unirmos para tal
fim, poderemos, aí sim de verdade, criar o Paraíso
na Terra.
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